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Organização e Hierarquização Psicomotora

Escrito por: Dra. Regiane Souza Neves.

A organização psicomotora humana engloba, em primeiro lugar, a organização motora de base e, posteriormente, a organização proprioceptiva, suspensão dos reflexos, produtos da maturação mesencefálica e medular; a organização do plano motor, a melodia do movimento, o enriquecimento gnósico, a socialização, produtos da maturação talâmica; a automatização, o ritmo, o espaço, a linguagem, a percepção do corpo, produtos da maturação cortical (Fonseca, 1994).

A hierarquização da motricidade humana, que expressa uma evolução filogenética e ontogenética, desde o equilíbrio gravitacional à motricidade global, e desta para a motricidade fina, ou seja, desde a macromotricidade a micromotricidade, representa algo de grande significado para compreensão da evolução da espécie e, em certa medida, é a base do desenvolvimento biopsicossocial da criança.

A organização e hierarquização psicomotora, a relação da praxia da criança com o meio ambiente proporcionam a vivência de toda gama de relações que resultam em explorações sensório-motoras, coordenação viso-motora, espaço perceptivo-motor, equilíbrio, tempo, ritmo, linguagem e esquema corporal; além da importância de um ambiente com oportunidades de experiências sociais, sensoriais e afetivas, que possibilitam a passagem da inteligência prática à inteligência reflexiva, indispensável à alfabetização e adaptação escolar (Fonseca, 1994).

Segundo Holle (1979), a lateralidade é uma sensação interna de que o corpo possui dois lados, que existe duas metades do corpo e que estas não são exatamente iguais. Ser capaz de perceber a lateralidade, revela a sensação de que os dois lados do corpo não são exatamente os mesmos, que uma das mãos é usada mais facilmente que a outra, é o início da discriminação entre direita e esquerda. O conhecimento estável da esquerda e da direita só é possível entre 6 e 7 anos de idade e a reversibilidade (possibilidade de reconhecer a mão direita ou a mão esquerda de uma pessoa à sua frente) não é possível antes dos 6 anos de idade.

A importância de conhecer a diferença entre esquerda e direita pode ser ilustrada por atividades do nosso cotidiano, por exemplo, o indivíduo deve saber quando um objeto está à sua esquerda ou direita, precisa da mesma noção ao andar pelas ruas da cidade, para orientar-se, para escrever e outras ações.

Para Boscaine (1997), a lateralização é um processo dinâmico sobre o que descansa a orientação e a organização desta prevalência que se encontra ligada aos processos maturativos, neurobiológicos, de natureza interna, como em processos de origem externa. É um processo dinâmico evolutivo que tende a nos colocar imediatamente em relação com o ambiente. Pode se entender como a transformação da lateralidade. A lateralização não é só um processo motor, pois se apresenta como uma integração de estruturas cognitivas, lingüísticas e relacionais, que se convertem em uma organização práxica.

Machado (1999), refere que o conceito de dominância lateral sob o ponto de vista funcional mostra que os dois hemisférios cerebrais não são simétricos, havendo sempre um hemisfério mais importante, ou seja, um hemisfério dominante.

Antes da alfabetização é necessário que a criança tenha em seu corpo a experiência da cor, da espessura, da longitude, da latitude, da trajetória, do ângulo, da forma, da orientação e da projeção espacial (Bretas, 1991). Neste sentido, a educação psicomotora é válida, tanto para o pré-escolar e escolar normal, assim como para crianças com deficiência mental, pois o ponto de partida para todos é a noção do próprio corpo, sua classificação e tomada de consciência que constituem o esquema corporal. A educação psicomotora deveria ser considerada como uma educação de base na escola fundamental (Costallat, 1985; Le Boulch, 1985).

Possuir consciência corporal e certo senso de lateralidade e direção é necessário para perceber alguma coisa como parte de si mesmo, e estas representam pré-condições para a percepção do espaço.

A dominância lateral definida é quando a mão, o pé e olho obedecem a dominância funcional de um lado do corpo, que é determinada pela dominância de um hemisfério cerebral sobre o outro, em que o hemisfério esquerdo se traduz pela destridade ou destralidade, enquanto o hemisfério direito o sinistrismo. O que se espera em nível de maturação, é que a dominância lateral ocorra entre 6 e 7 anos de idade.


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