Seja bem vinda (o) ao blog da Profª Dra. Regiane Souza Neves

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PSICOPEDAGOGIA

Escrito por: Regiane Souza Neves.

      A psicopedagogia nasceu a partir das necessidades de atendimento para crianças com distúrbios de aprendizagem, sendo que, inicialmente era vista como uma aplicação da psicologia à pedagogia, não assumindo o seu real significado desde o nascimento, que é a melhor compreensão do processo de aprendizagem, na qual os problemas neste processo é a razão da psicopedagogia.
A preocupação dos problemas de aprendizagem surgiu no século XIX, na Europa. Começou-se a preocupação e interesse em compreender e entender sujeitos que possuíam dificuldades/deficiências sensoriais, mentais e outros que comprometessem a aprendizagem, o mesmo diz Bossa (2000) evidenciando a preocupação dos problemas de aprendizagem na área médica, fazendo com que isso fique por muitos anos, determinando um tratamento para o fracasso escolar.
Após a idéia de que o problema de aprendizagem era devido dificuldades biológicas, o objeto de estudo da psicopedagogia passa a ser os sintomas das dificuldades de aprendizagem (desatenção, desinteresse...) com o objetivo de remediar estes sintomas. A dificuldade de aprendizagem era identificada apenas como um mau desempenho.
No Brasil, o problema de aprendizagem também era visto pelas dificuldades orgânicas, e os primeiros cursos de especialização em psicopedagogia eram destinados a psicólogos e educadores.
A psicopedagogia surge no Brasil como uma das respostas ao problema de fracasso escolar, sendo um campo do conhecimento que implica numa integração multidisciplinar, tendo como objeto de estudo o processo de aprendizagem visto como estrutural, construtivo e interacional, integrando nele os aspectos cognitivos, afetivos e sociais do ser humano. A psicopedagogia tem então como objetivo facilitar esse processo de aprendizagem removendo os obstáculos que ele se faça.
A psicopedagogia estuda as características da aprendizagem humana: como se aprende e como essa aprendizagem varia evolutivamente e está condicionada por vários fatores, como se produzem as alterações na aprendizagem, como conhecê-las, tratá-las e preveni-las.
O objeto de estudo da psicopedagogia foi entendido de várias formas, uma delas era que a aprendizagem era avaliada em função de seus déficits, procurando vencer essas defasagens e valorizando a reeducação. Outra, o sujeito que não podia aprender. Até que essas concepções evoluíram e entenderam o objeto de estudo como o sujeito aprendendo, como se refere Alicia Fernández, ou seja, o objeto de estudo passa a ser o processo de aprendizagem em todos os aspectos, assim a psicopedagogia passa ser vista como um saber independente.
A psicopedagogia para compreender o processo de aprendizagem do sujeito, busca entendê-lo como um todo, nos seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais, porém ainda não temos uma teoria específica para a patologia da aprendizagem, tendo que recorrer a teorias como: a psicanálise que permite realizarmos uma leitura do inconsciente para a compreensão da personalidade, levando em conta a face desejante do homem; a psicologia social estuda a constituição dos sujeitos (família, grupos e instituições) em condições socioculturais e econômicas, contextualizando toda a aprendizagem; a epistemologia e psicologia genética analisam e descrevem o processo de construção do conhecimento pelo sujeito em interação com o outro/objeto; a lingüística traz a compreensão da linguagem como um dos meios que caracteriza o homem como um ser humano e cultural.
Conforme Scoz (1992): “A psicopedagogia no Brasil hoje é a área que estuda e lida com o processo de aprendizagem e suas dificuldades e, numa ação profissional, deve englobar vários campos do conhecimento, integrando-os e sintetizando-os”.
Com todos estes conhecimentos incorporados o psicopedagogo se atenta as reações do sujeito diante de uma tarefa, considerando suas resistências, bloqueios, lapsos, repetições, sentimentos e angústias frente às situações que permitam o sujeito entrar em contato com suas dificuldades, buscando desenvolver e expandir a personalidade do individuo, favorecendo as suas iniciativas pessoais, suscitando os seus interesses, respeitando os seus gostos, propondo atividades que permite a escolha do sujeito.
É necessário que incorporemos conhecimentos sobre o organismo, o corpo, a inteligência e o desejo, estando estes quatro aspectos implicados no aprender, para constituir uma teoria psicopedagógica.
Hoje a psicopedagogia ainda não é um saber independente dotado de fundamentos próprios, e sim uma síntese simplificada dos múltiplos conhecimentos, objetivando sempre facilitar a construção da individuação e da autonomia do sujeito que aprende, identificando e clarificando os obstáculos que impedem que esta construção se faça.
O psicopedagogo tem sua formação multidisciplinar e assentada sobre diversas ciências, tornando-se habilitado para lidar com certos fenômenos da dificuldade/problema de aprendizagem que ocorrem dentro do âmbito familiar, escolar, comunitário e social, podendo ser remediáveis ou preventivos.
O trabalho preventivo é aquele que o psicopedagogo junto com a escola e a família poderá prevenir um possível problema no futuro, pois ao eliminar um transtorno, estamos prevenindo que apareçam outros. Este trabalho constitui em: diminuir a freqüência dos problemas de aprendizagem; formar e orientar professores, aconselhar os pais.
Segundo Bossa (1994): “A psicopedagogia preventiva se baseia principalmente na observação e análise profunda de uma situação concreta, de forma que podemos considerar clínico o seu trabalho”. Ainda para a mesma autora “A função preventiva está implícita na atitude de se considerar aquele grupo específico como os sujeitos da aprendizagem, de forma a adequar conteúdos e métodos, ou seja, respeitando as características do grupo a pensar o plano de trabalho”.
A Psicopedagogia também trabalha no âmbito terapêutico, na qual tem a atitude de intervir nos problemas de aprendizagem, que de acordo com Paín (1985)  e Fernandez (2001) , estão ligados as estruturas individuais da criança.
O trabalho terapêutico é aquele que o sujeito já possui o problema e através de técnicas o psicopedagogo trabalhará o sujeito para suprir a dificuldade de aprendizagem, diminuindo e tratando dos problemas de aprendizagem já instalados; criando um plano de diagnóstico e elaborando planos de intervenção; eliminando os transtornos já instalados, num procedimento clínico com todas as suas implicações.

Para Bossa (1994):
“O diagnóstico psicopedagógico é um processo, um contínuo sempre revisável, onde a intervenção do psicopedagogo inicia, numa atitude investigadora, até a intervenção. É preciso observar que esta atitude investigadora, de fato, prossegue durante todo o trabalho, na própria intervenção, com o objetivo de observação ou acompanhamento da evolução do sujeito.”

         A Psicopedagogia também trabalha com as instituições, na qual se tem muito a fazer, pois as aprendizagens se dão o tempo inteiro nas instituições, com as relações interpessoais e os conteúdos passados. O psicopedagogo analisa o processo incluindo questões metodológicas, relacionais e socioculturais, observando o papel do ensinante e aprendente, considerando também a participação da família, desta forma, sua tarefa é de reflexão sobre todas as questões sobrepostas, buscando contribuir no sentido de prevenção as dificuldades de aprendizagem.
A história da psicopedagogia no Brasil e na Argentina tem alguns pontos em comum, um deles é que iniciou a prática antes da criação de cursos; surgiu para suprir a necessidade do fracasso escolar; tinha caráter reeducativo, assumindo um enfoque terapêutico; devido à demanda dos problemas de aprendizagem é que surgiu a função do psicopedagogo.
Hoje no Brasil, temos cursos de psicopedagogia nos níveis de: Graduação (bacharelado), Pós Graduação (Latu Sensu) e Mestrado (Strictu Sensu).

Referências:

BOSSA, Nadia A. A Psicopedagogia no Brasil. Artes Médicas, 1994.


FERNANDES, A. Os Idiomas do Aprendente. São Paulo: Artmed, 2001.

PAIN, S. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 1985.

SCOZ, Beatriz. Psicopedagogia. Artes Médicas, 1992.


Artigo escrito por: 

Dra. Regiane Souza Neves

Presidente e Coordenadora de Ensino Superior: Graduação, Pós-Graduação e Extensão na ABRAPEE (Associação Brasileira de Profissionais e Especialistas em Educação) 
Sócia-Proprietária e Diretora do Ceadeh (Centro de Estudos Avançados em Desenvolvimento Educacional e Humano) 

Cursos e palestras para escolas, associações, sindicatos, ong's e diretorias de ensino

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