Seja bem vinda (o) ao blog da Profª Dra. Regiane Souza Neves

Seja bem vinda (o) ao blog da Profª Dra. Regiane Souza Neves
Neste espaço você encontra artigos sobre Educação, Psicopedagogia, Saúde Mental, Comunicação, Cidadania e Política. Além de fotos, vídeos, mensagens e muito mais. Agradeço sua visita!!!! Profª Dra. Regiane Souza Neves

Agradeço a sua visita. Continue visitando meu blog. Você é o visitante número:

CURRÍCULO ESCOLAR e PROGRESSÃO CONTINUADA



Características conceituais no sistema educacional

Do direito de cada indivíduo à sua educação integral, decorre logicamente para o Estado que o reconhece e o proclama, o dever de considerar a educação, na variedade de seus graus e manifestações, como uma função social e eminentemente pública, que ele é chamado a realizar, com a cooperação de todas as instituições sociais. A escola foi criada para atender o desenvolvimento intelectual, mas a cada dia passa a atender os aspectos culturais, emocionais, sociais e morais do individuo. Como subsistema da sociedade, o sistema escolar reflete suas características, principalmente as nocivas, como a desigualdade. Assim o professor acumula mais um papel: amenizar as injustiças sociais.
O Currículo Escolar é um projeto que estabelece um elo entre os princípios e a prática, incluindo tanto a matéria à ser ministrada quanto as características da região. Torna-se, assim, um roteiro para orientação do professor.
Formado por uma base nacional comum, tanto para o ensino médio quanto para o fundamental, contêm: Língua Portuguesa, Matemática, Ciências (Química, Física e Biologia), Historia e Geografia, além do ensino de Artes, Educação Física, Língua Estrangeira Moderna e, facultativo, Ensino Religioso.
Mas sua face mais inovadora é à parte diversificada, que busca atender as exigências regionais. Estão inclusos os temas transversais para garantir a formação do cidadão, onde serão tratados assuntos como Orientação Sexual, Meio Ambiente, Saúde e Ética. A inclusão fica a cargo da escola, que decide o que é mais conveniente.
A mudança de enfoque quanto aos conteúdos ministrados em uma disciplina reside no prolongamento de tal conteúdo, ou seja, abandona-se à postura de confinamento do ensino pelas paredes da escola, tornando-o uma ferramenta para usufruir e compreender as informações culturais, sociais e econômicas da sociedade em que o aluno vive. O ensino passa a ser útil e justificável.
Talvez a questão mais polêmica que envolve um Currículo Escolar é quanto a sua finalização. Estará ele completo? Nada, em tese, pode ser avaliado. Todo projeto necessita da prática, de tempo para consolidação: um projeto recente ainda não teve seu reflexo. Deste modo, um Currículo está sempre em construção. É necessário acompanhar os resultados junto às salas de aula para melhorá-los sempre e compartilhar as descobertas de um professor com todos os outros.
Outra grande discussão pedagógica é a falência de alguns tópicos em todas correntes pedagógicas, sendo que nenhuma se mostrou totalmente capaz, pois o ser humano é pluralista: o professor sabe que é necessário adaptar-se.
A maneira mais correta para trabalhar os conteúdos na escola é em conjunto, sem distinção, uma relação continua e imparcial. Uma linha a ser seguida, permeada pela constante atenção do professor, que auxilia na compreensão, organização, realização e postura perante os fatos. As três categorias de conteúdos estão presentes, hoje, no sistema escolar brasileiro, mas a maneira com que são tratadas é deficiente: a aprendizagem mecânica ainda corroe o ensino, os alunos detêm os fatos, mas não sabem resolvê-los (teoria desacompanhada da prática) e, assim, tomam posicionamentos errôneos perante a realidade. O processo de aprendizagem tem que partir do conhecimento que o aluno tem em sua vivência e, desta forma, trabalhá-lo.
A Progressão Continuada visa uma nova avaliação, ao tirar o peso desta, promover qualquer tipo de crescimento ao aluno. Abandonam-se as palavras aprovação e reprovação e adota-se o termo progressão. A avaliação é feita por três professores e aprovada ou corrigida pelo Conselho de Classe. O conteúdo avaliado é composto pela Base Nacional de Currículos, além de redação e grau de maturidade e desenvolvimento do aluno.
Busca-se contornar com recuperações a deficiência de alunos insuficientes, alterando a relação professor-aluno para que tal professor esteja atento às dificuldades de cada estudante enquanto indivíduo. A autonomia pedagógica de cada escola prevê uma ampla discussão com alunos, pais e conselhos, escolhendo os caminhos para resolver seus problemas concretos. É um projeto recente e polêmico, a maior vitória é a diminuição da evasão escolar.
Somente agora a sociedade pode avaliar o resultado da nova política educacional instituída pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação). A Progressão Continuada é, na teoria, uma excelente saída para resolver em um só golpe dois problemas diferentes: O primeiro problema é o pedagógico. O novo sistema de progressão continuada eleva a auto-estima do aluno que não passará mais pelo trauma anual da repetência (cabe aqui salientar que a reprova do ciclo de 4 anos pode ser bem mais traumática do que a reprova de apenas um ano letivo). O segundo problema é estatístico. O Brasil precisava cumprir as metas propostas pelo governo no plano decenal da educação onde, o governo brasileiro deveria reduzir o número de crianças fora da escola e repetentes (cabe aqui também lembrar que reduzir o número de crianças repetentes significa reduzir custos para o Estado).
Os frutos desta nova política todos já conhecem. Hoje muitas crianças chegam a 8ª série sem saber ler e escrever adequadamente, aumentando assim a exclusão social da população que, não conta com nenhum tipo de qualidade de ensino. Dizer que a culpa é dos professores, coordenadores e diretores, é cômodo, pois assim, salvam-se as boas intenções do governo.
As perguntas que todos deveriam fazer aos nossos representantes da área da educação são: Como foi aplicada essa nova política? Como os professores assimilaram esta proposta? Essa proposta foi discutida democraticamente ou foi simplesmente planejada em um gabinete e instituída como uma medida autoritária?
Qual apoio tem recebido os professores no que diz respeito à reflexão, entendimento e discussão desta proposta?
O que se viveu dentro das escolas foi à vinda de uma nova proposta renovadora, sem dúvida nenhuma, teoricamente perfeita mas, uma proposta que não deu aos professores a oportunidade de refletir sobre sua prática, sobre o que fazer a partir daquele momento.
Foi exatamente aí que a progressão continuada virou progressão automática, foi exatamente aí, que muitos alunos foram perdidos e hoje são encontrados nas oitavas séries do Ensino Fundamental sem saber ler e escrever.
Considerações Finais
Em que diferem ambos os projetos? Os dois visam à melhoria do ensino e uma melhor capacitação do individuo: então, não há diferença? Sim, há diferenças, e são enormes, e a principal delas é a satisfação com o resultado alcançado. A Progressão, já avaliada na prática, contenta-se com que os objetivos sejam apenas indivíduos presos aos bancos escolares e que estes tenham evoluído mecanicamente, absorvidos apenas algumas informações, diminuindo precariamente suas deficiências e passando a produzir, pois nesta visão de Sociedade, o individuo é simplesmente um operário, tira totalmente a responsabilidade de desenvolvimento do aluno e do professor, pois não acontece na prática o que deveria pela teoria. Os PCN’s tornam-se instrumentos dessa utopia, onde se afirma que a escola é uma instituição onipotente, capaz de decidir os rumos de seus alunos, enquanto manipula sua avaliação.
Não importa qual corrente, em um ponto todos concordam: toda criança é capaz de aprender, desde que lhe seja dada condições. São estas condições que os professores devem promover. Os professores são condutores de um novo mundo, formados por uma crise de valores, onde modelos arcaicos são rompidos. Até quando seremos preconceituosos e veremos os alunos como estranhos? A distância entre o aluno e o professor deve ser rompida, pois eles farão parte de uma nova era e têm novos anseios.
Neste mundo, um grande auxílio são as inovações tecnológicas e a facilidade de obter informação, estas devem ser instrumentos para um novo ensino. É necessário criar um novo método de ensino, uma ruptura, em que os novos fatores venham a enredar e não só adicionar os antigos conceitos. O momento é de Revolução, mudanças que busquem melhorias, detectando assim os problemas. Será, a partir de uma investigação dos anseios de uma Sociedade, a qual o sistema de ensino está submetido, que atenderemos ao futuro.
O maior desafio é a inovação consciente: não se trata de ser reacionário ou ter medo das mudanças, mas não se deve prejudicar o crescimento do intelecto do individuo devido a atitudes inconseqüentes. Mas, por muito tempo, o professor ainda será o responsável por fazer o individuo ter vontade de aprender, desejo este, presente em toda criança e mutilado através dos anos por uma educação deficitária. O professor necessita de uma melhor formação: de que adianta a educação multidisciplinar se o próprio professor tem sua formação fragmentada.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
ADRIÃO, Theresa & OLIVEIRA, Romualdo P. de (orgs.). Gestão, financiamento e direito à educação: análise da LDB e da Constituição Federal. São Paulo: Xamã, 2001.
FONTOURA, Amaral. Diretrizes e bases da educação nacional : introdução, crítica, comentários, interpretação. Rio de Janeiro: Gráfica Editora Aurora, 1968.
MENDES, N.; FONSECA, V. Escola, escola, quem és tu? Porto Alegre: Artmed, 1987.
VILALOBOS, João Eduardo Rodrigues. Diretrizes e bases da educação: ensino e liberdade. São Paulo: EDUSP, 1969. 




Cursos e palestras para escolas, associações, sindicatos, ong's e diretorias de ensino

Cursos e palestras para escolas, associações, sindicatos, ong's e diretorias de ensino
clique na foto para acessar o site do CEADEH

Livros de autoria da Profª Dra. Regiane Souza Neves

Livros de autoria da Profª Dra. Regiane Souza Neves
clique na imagem para acessar