Seja bem vinda (o) ao blog da Profª Dra. Regiane Souza Neves

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O fracasso do Pronatec e as explicações do governo.


O Ministério da Fazenda divulgou na quinta-feira (24/09) uma pesquisa demonstrando que as pessoas que fizeram cursos do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) têm praticamente a mesma chance de voltar ao mercado de trabalho do que aqueles que não procuraram uma capacitação. Ou seja, o mercado de trabalho não valoriza, não eleva o percentual de candidatos selecionados por terem frequentado o Pronatec. Infelizmente, este é mais um programa com altos investimentos em publicidade e pouco investimento em estrutura.

Entre os anos de 2011 e 2014, o Pronatec registrou mais de 8,1 milhões de matrículas em cursos de formação gratuitos. Com a crise, o programa sofreu um corte de 57% em relação a 2014.

Algumas críticas feitas por especialistas nos últimos anos podem ajudar a entender o fracasso do programa que foi uma das principais bandeiras da campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff em 2014. 

O Pronatec oferece dois tipos de capacitação: os cursos técnicos de no mínimo um ano para quem já concluiu ou está no ensino médio e os conhecidos como FIC (Formação Inicial e Continuada), que têm duração mínima de dois meses.


Para especialistas, um dos problemas do programa é que esses cursos rápidos correspondem a cerca de 70% das vagas ofertadas. "Uma pessoa que não teve ensino médio, que não teve ensino fundamental, não vai conseguir se inserir no mercado com um curso de 160 horas. Em qualquer área, você não aprende se não tem base, se não tem os fundamentos", diz o professor da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) Gaudencio Frigotto.


"Esses cursos são de baixa complexidade tecnológica e, diferente do curso técnico, não garantem um certificado de profissional com elevação de escolaridade ao estudante", afirmou em 2014 o Movate (Movimento de Valorização dos Trabalhadores em Educação do MEC).


Em junho de 2014, foi solicitado, por sites de comunicação como o UOL, ao Ministério do Trabalho e o da Educação o fornecimento de dados de empregabilidade do Pronatec, o que daria a dimensão da eficiência do programa. Os números, porém, não foram fornecidos.

O programa, que foi criado em 2011, teve os resultados divulgados só agora. Cerca de R$ 14 bilhões foram investidos em cursos do Pronatec entre 2011 e 2014.

O monitoramento da qualidade dos cursos também foi questionado pelo professor Gaudencio Frigotto, que estuda o ensino técnico no Brasil na Uerj, que disse: "O MEC não tem capacidade técnica de acompanhar tudo, é uma falta de controle total".

Sobre o assunto, o ministério afirmou em 2014 que fazia uma análise dos projetos pedagógicos apresentados pelas instituições parceiras e que realizava visitas in loco para verificar as instalações desses locais. 


Entre 2011 e 2014, quase 1 milhão de estudantes abandonaram os cursos do Pronatec. Em alguns casos, a evasão chegava a 50%. "O percentual de abandono é de 12,86% no Pronatec, um número que consideramos razoável", disse Aléssio Trindade de Barros, então secretário da Setec (Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica) do MEC.

No entanto, o MEC implantou, em agosto deste ano, uma série de medidas para tentar contar a evasão no Pronatec.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/

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