Seja bem vinda (o) ao blog da Profª Dra. Regiane Souza Neves

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Neste espaço você encontra artigos sobre Educação, Psicopedagogia, Saúde Mental, Comunicação, Cidadania e Política. Além de fotos, vídeos, mensagens e muito mais. Agradeço sua visita!!!! Profª Dra. Regiane Souza Neves

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A reorganização escolar e a desorganização da vida

Sempre utilizo deste espaço para conversarmos a respeito de educação, psicopedagogia e saúde mental, com temas que interferem em nossas vidas e fazem parte do cotidiano de muitas pessoas. Hoje, não poderia deixar de expor um tema que nos deixou com grande preocupação em relação ao futuro das escolas paulistas. Além de mãe de dois adolescentes que frequentam uma escola pública estadual no bairro em que moramos, também, estive como diretora de escola por 15 anos e atualmente sou Presidente Nacional da ABRAPEE Associação Brasileira de Profissionais e Especialistas em Educação e diretora do CEADEH Centro de Estudos Avançados em Desenvolvimento Educacional e Humano, que dentre outras atividades realiza formação continuada para educadores em todo o Brasil.

No dia 23/09, a Secretaria de Educação anunciou o novo processo de organização pelo qual a rede estadual paulista passará a partir de 2016. Na prática, as escolas de uma região passarão a ter somente um dos ciclos: fundamental I, fundamental II ou médio. Os alunos serão remanejados entre estas escolas, em uma distância não superior a 1,5 Km, segundo o secretário. São Paulo tem hoje 5.108 escolas, das quais 1.443 são de ciclo único, outras 3.186 mantêm dois ciclos e 479 têm três ciclos. Essas últimas devem ser transformadas em ciclo único, assim como grande parte das de dois ciclos. Com mais de 5 mil escolas, 230 mil professores, 59 mil servidores e mais de quatro milhões de alunos, a secretaria de educação diz que este é um bom momento para a reorganização, pois SP tem hoje 2 milhões de vagas ociosas.

Com a proposta, os alunos do Ensino Médio, por exemplo, poderão estudar apenas com estudantes deste segmento. Neste primeiro momento, a Educação está realizando, com o apoio das 91 diretorias de ensino, um estudo que definirá as escolas selecionadas para o processo. A lista com as escolas que serão reorganizadas será definida no dia 14 de novembro, em um encontro entre escolas e pais, chamado de dia "E".

No entanto, outros projetos, como Professor Mediador, Professor Coordenador e Sala de Leitura, não sofrerão modificações durante esse processo. Também não estão previstas medidas para as diretorias de ensino, que continuarão existindo sem alterações após a reorganização. O período noturno continuará a existir na rede estadual e segundo o secretario de educação, todos os benefícios dos profissionais da rede estadual de ensino serão assegurados com a implantação do processo de reorganização escolar.

Nem todas as unidades de ensino vão participar da reorganização escolar. As escolas com mais de um ciclo ainda funcionarão, devido às diferenças demográficas e as necessidades por escolas para diversas faixas etárias em algumas regiões de São Paulo. 

A Educação preparou um site, onde todos os estudantes devem preencher com seus dados cadastrais o mais rápido possível. O acesso ao sistema deverá ser feito com RA e a data de nascimento do aluno. Caso não tenha o número do RA, procure a secretaria de sua escola. O objetivo da ação é evitar qualquer tipo de divergência no momento da escolha e remanejamento dos estudantes para as novas escolas. Segundo o secretário de educação, todos os benefícios dos profissionais da rede estadual de ensino serão assegurados com a implantação do processo de reorganização escolar. 

Os professores estaduais de São Paulo decidiram no dia 25/09 iniciar “estado de greve”, com indicativo de paralisação para o dia 29 de outubro, quando vão lançar o Grito pela Educação, campanha por melhorias no sistema educacional público, que reunirá movimentos sociais, associações, sindicatos, docentes e estudantes. No dia 28/09 os professores iniciaram uma campanha nas escolas e nos bairros para unir estudantes e seus familiares contra a proposta. Onde estão sendo realizadas reuniões, abaixo-assinados e distribuição de folhetos explicando as razões pelas quais os professores avaliam que a medida vai prejudicar o já ruim ensino paulista.

A secretaria de educação tem suas medidas, suas estatísticas, seus prós, sua lábia, sua maneira bonita de dizer: "iremos causar um grande problema nas suas vidas, mas aceitem".  Mais uma vez, estamos todos tendo que engolir as insanidades propostas por governantes que trabalham contra o povo.   

Imaginem uma mãe com três filhos, sendo que o 1º está no ensino médio, o 2º no fundamental II e o 3º no fundamental I, cada filho então, terá que estudar em uma escola. Não é a primeira vez que isso acontece. Antigamente, as escolas eram Primário (1ª a 4ª série), Ginásio (5ª a 8ª série) e Colegial, então houve a reorganização de 1º Grau (1ª a 8ª série) e o 2º Grau (o chamado colegial). Depois ocorreu outra reorganização separando os níveis de ensino do 1º Grau, mais tarde reorganizaram novamente adaptando fundamental II (antigo ginásio) com o Ensino Médio. E por fim, a reorganização que ainda nem terminaram de adaptar em todas as escolas públicas, que é o ensino fundamental de 9 anos (1º ao 9º ano - onde o pré passou a ser ensino fundamental). E agora, como eles não têm nenhum projeto bom para a educação e na verdade não sabem o que fazer para cumprir com o direito das nossas crianças e adolescentes de terem uma educação de qualidade, então resolveram desorganizar a vida das pessoas. 

Eu sempre digo que somos seres adaptáveis, mas nem por isso somos obrigados a aceitar certas coisas. Será realmente, que a secretária de educação está certa, quanto à reorganização que quer fazer desta vez, tenho minhas dúvidas e são muitas. Particularmente, acho que de nada isso vai melhorar. As salas de aula já estão superlotadas, escolas necessitam de adaptação para a inclusão entre outras coisas. Tanto é, que a grande maioria dos professores e demais servidores estão contra a nova proposta. Outro fator relevante é à distância de 1,5 km da escola até a residência da maioria dos alunos, será que irão disponibilizar transporte aos alunos ou os pais terão que contratar este serviço? E os que não têm condições pra isso, terão que enfrentar chuva, Sol, alagamentos e perigos diversos pelo caminho? Será que é justo? Será que não pensam na possibilidade de maior evasão escolar? Será que não pensam no desgaste que será para a vida de tantos professores? Será mesmo que existem 2 milhões de vagas ociosas, com as salas de aula superlotadas e diversas crianças e adolescentes na fila de espera de solicitação de vagas?

Como se já não bastasse os mais de R$ 9 bilhões cortados da Educação em nosso país, só este ano, pelo Governo Federal, fomos surpreendidos nesta semana com comentários a respeito do fechamento de várias escolas no Estado de São Paulo. Inclusive em Osasco se fala no fechamento de sete escolas. No entanto, sabe-se que isso é inconstitucional, fechar escolas públicas é proibido por lei. O prédio escolar é um patrimônio público, construído apenas para ser um estabelecimento de ensino. Mesmo que não atenda mais determinados níveis de ensino a escola não poderá ser fechada, sua estrutura física deverá ser utilizada para alguma finalidade educativa, socioeducativa etc. Porém, quero deixar claro que existe sim, e muito este problema com relação às escolas no Brasil, principalmente as rurais. Cientes deste fato estão às prefeituras, os governos estaduais e o governo federal por causa do Censo Escolar que mantém seus dados atualizados. Em vários casos, ocorre uma nucleação, ou seja, várias escolas com números pequenos de alunos são unidas em uma só chamada de escola-polo. Sendo que isso acaba ocasionando em transtornos aos alunos e suas famílias, principalmente de distância entre a escola-polo e sua comunidade, propiciando em problemas de aprendizagem, de evasão escolar e até mesmo de êxodo rural. 

Não se esqueça, se você tem filhos nas escolas estaduais, no dia 14 de novembro, haverá uma reunião na própria escola que é chamado de dia "E", para expor a lista das escolas e níveis de ensino que serão reorganizados.

Neste momento, quem for contra a reorganização, se faz necessário, apoiar as manifestações dos professores. As manifestações estão acontecendo em várias cidades no Estado de São Paulo.

#DigaNÃOaReestruturação
Juntos, é possível mudarmos esta realidade!



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