Seja bem vinda (o) ao blog da Profª Dra. Regiane Souza Neves

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As dificuldades de aprendizagem e os problemas de comportamento

Por: Profª Dra. Regiane Souza Neves


O desenvolvimento cognitivo

Aprendizagem é toda mudança de comportamento em resposta a experiências anteriores porque envolve o sujeito como um todo, considerando todos os seus aspectos, sendo eles psicológicos, biológicos e sociais. Se algum desses aspectos estiver em desequilíbrio haverá a dificuldade de aprendizagem.

Segundo Piaget (1973), a aprendizagem só se dá com a desordem e ordem daquilo que já existe dentro de cada sujeito. É necessário obter contato com o difícil, com o incomodo para desestruturar o já existente e em seguida estruturá-lo novamente, com a pesquisa e também motivações tanto intrínseca como extrínseca para obter a aprendizagem, ressaltando que a motivação intrínseca é mais importante porque o sujeito tem que estar interessado em aprender, sendo que a junção dos dois (intrínseca e extrínseca) formam importantes aliados para a melhor aprendizagem do sujeito.
O processo do conhecimento se dá na interação entre sujeito e objeto, esta interação Piaget (1973) chama de assimilação e acomodação.

Assimilação para Piaget (1973) é “(...) uma integração a estruturas prévias, que podem permanecer invariáveis ou são mais ou menos modificadas por esta própria integração, mas sem descontinuidade com o estado precedente, isto é, sem serem destruídas, mas simplesmente acomodando-se à nova situação”. Simplificando, o processo de assimilação é a articulação das ideias já existentes com as que estão sendo aprendidas de forma que adapta o novo conhecimento com as estruturas cognitivas existentes.

Acomodação é toda mudança de comportamento, alteração do sujeito, este só acontece quando o sujeito se transforma, amplia ou muda os seus esquemas. Esquema é a estrutura da ação, ou seja, nós vamos integrando uma determinada coisa com outra coisa que já entramos em contato anteriormente, assim vamos articulando o já conhecido com o que está sendo apresentado, mudando ou ampliando o esquema já existente.

Não há assimilação sem acomodação e vice-versa, mas pode acontecer o predomínio de uma ou de outra, para ocorrer este processo é preciso que o sujeito tenha situações problemas que desafiem sua inteligência.

Para Piaget (1973), o desenvolvimento cognitivo é dividido em quatro estágios.

  • O estágio Sensório motor vai aproximadamente entre 0 à 24 meses. Aqui a criança vai percebendo aos pouco o seu meio e age sobre ele, o bebê age puramente através de reflexos, com o tempo ele percebe que certos movimentos e atitudes movem o seu externo, por exemplo, o choro, ela percebe que ao chorar vai vir alguém acudi-la, neste período há várias assimilações e acomodações que criam esquemas de ação. Há algumas características neste estágio: a primeira é o reflexo, na qual ela não se diferencia do mundo exterior; a segunda são as primeiras diferenciações, existe uma coordenação entre mão e boca, uma diferenciação entre pegar e sugar, surgem os primeiros sentimentos como a alegria, a tristeza, o prazer e desprazer, que estão ligados a ação; a terceira é a reprodução de eventos interessantes; a quarta é a coordenação de esquemas, ou seja, ela começa a usar um esquema em outras coisas para ver se obtém o mesmo resultado, por exemplo, a criança balança um chocalho e vê que aquilo faz barulho, ao pegar outro objeto ela vai balançar para ver se aquilo também fará barulho; a quinta é a experimentação, invenção de novos meios, a criança passa a inventar novos comportamentos, ações a partir da tentativa e erro, consegue a inteligência quando consegue solucionar problemas; a sexta é a representação, ela começa a ter um sentimento de escolha, o que quer ou não fazer.

  • O estágio Pré-operatório vai aproximadamente entre 2 à 6 anos. Aqui a criança possui uma capacidade simbólica, uso de símbolos mentais como a linguagem e imagens, nesta fase há uma explosão da linguística algumas características deste estágio são: primeira – a imitação diferida ou imitação de objetos distantes; segunda – jogo simbólico é também imitativo, a criança não se preocupa se o outro irá entendê-la, ela se preocupa com o seu entendimento, é uma forma de se auto expressar; terceira – desenho, é a sua forma de deixar uma marca, ela desenha o que quer, sendo ou não real; quarta – imagem mental, as imagens são estáticas, são imagens que representa o interno, algo que já foi passado; quinta – linguagem falada, a criança começa a falar uma palavra como se fosse uma frase, aos pouco ela vai aumentando o seu repertório vocábulo. Neste estágio há também as características do pensamento infantil, que são: egocentrismo – é a incapacidade de se colocar no ponto de vista do outro (por volta dos 4 ou 5 anos), a criança acha que todo mundo pensa como ela, então ela não questiona ninguém, por volta dos 6 ou 7 anos ela começa a ceder as pressões das pessoas que vivem a seu redor, ela começa a se questionar porque gera um conflito, assim ela começa a perceber que cada um pensa de um jeito; raciocínio transformacional – é a incapacidade para raciocinar com sucesso sobre transformações, a criança não focaliza a transformação; centração – a criança centra alguma coisa limitadamente, não a vê como um todo, ela é incapaz de explorar todos os aspectos, ela leva em consideração a percepção e não o raciocínio. Após os 6 ou 7 anos o pensamento da criança toma uma posição apropriada.

  • O estágio Operatório concreto vai aproximadamente entre 7 à 11 anos. Aqui a criança desenvolve processos de pensamento lógico, não apresenta dificuldades na solução de problemas de conservação e apresenta argumentos corretos para suas respostas, a criança descentra suas percepções e acompanha as transformações, ela também começa a ser mais social saindo da sua fase egocêntrica ao fazer o uso da linguagem, a fala é usada com a intenção de se comunicar, ela percebe que as pessoas podem pensar e chegar a diferentes conclusões, sendo elas diferentes das suas, ela interage mais com as pessoas, quando aparece um conflito ela usa o raciocínio para resolver. As operações lógicas é a ocorrência mais importante neste estágio porque as ações cognitivas internalizadas permitem que a criança chegue a conclusões lógicas, sendo elas controladas pela atividade cognitiva e não mais pela percepção e construídas a partir das estruturas anteriores como uma função de assimilação e acomodação.

  • O estágio do Pensamento formal acontece após os 12 anos, a criança ou adolescente começa ter um pensamento hipotético – dedutivo, ou seja, começa a levantar hipóteses e deduzir conclusões. O adolescente usa esquemas aprendidos dos estágios anteriores para fortalecer as hipóteses deste estágio, assim ele vai aprimorando cada vez mais os estágios anteriores. Deste estágio em diante o que ocorre é o aperfeiçoamento dos estágios passados.


Para Pain (1985), o processo de aprendizagem se inscreve na dinâmica da transmissão da cultura, que constitui a definição mais ampla da palavra educação, atribuindo quatro funções interdependentes: a) Função mantenedora da educação: garante a continuidade da espécie humana por meio da aprendizagem de normas que regem a ação; b) Função socializadora da educação: através da linguagem, do habitat transforma o indivíduo em sujeito social; c) Função repressora da educação: um instrumento de controle que tem por objetivo conservar; d) Função transformadora da educação: transforma o sujeito, de formas peculiares de expressão revolucionária a partir de mobilizações primariamente emotivas advindas das contradições do sistema.

Na tentativa de uma definição da patologia da aprendizagem, ela a define como um sintoma, no sentido de que o não aprender não configura um quadro permanente, mas ingressa em uma constelação peculiar de comportamentos, assim, o seu diagnóstico está constituído pelo seu significado.

A aprendizagem possui dois tipos de condições: as externas, na qual é comum a criança com problema de aprendizagem apresentar algum déficit real do meio devido a confusão dos estímulos, a falta de ritmo ou a velocidade com que são brindados ou a pobreza ou carência dos mesmos e, em seu tratamento, se vê rapidamente favorecida mediante um material discriminado com clareza, fácil de manipular, diretamente associado à instrução de trabalho e de acordo com um ritmo apropriado para cada aquisição e as internas que estão ligadas a três aspectos: o corpo como organismo que favorece ou atrasa os processos cognitivos, sendo mediador da ação; a cognição, ou seja, à presença de estruturas capazes de organizar os estímulos do conhecimento; condições internas que estão ligadas à dinâmica de comportamento.

A aprendizagem será cada vez mais rápida quando o sujeito sentir a necessidade e urgência na compreensão daquilo que está sendo apresentado.

Segundo Fernandes (2001), é importante levar em consideração as estruturas cognitivas e a estrutura desejante do sujeito, porque um depende do outro, é necessário que o sujeito tenha desejo, pois este impulsiona o sujeito a querer aprender e este querer faz com que o sujeito tenha uma relação com o objeto de conhecimento. Para ter essa relação o sujeito precisa ter uma organização lógica, que depende dos fatores cognitivos. No lado do objeto de conhecimento ocorre a significação simbólica que depende dos fatores emocionais. Todo sujeito tem a sua modalidade de aprendizagem e os seus meios de construir o próprio conhecimento, e isto depende de cada um para construir o seu saber.

O sujeito constrói esse saber a partir do momento que ele tem uma relação com o conhecimento, com quem oferece e com a sua história. Para que o conhecimento seja assimilado, é preciso que o sujeito seja ativo, transforme e incorpore o seu saber, esquecendo de conhecimentos prévios que já não servem mais, é importante também que o ensinante dê significado para este novo conhecimento, despertando o desejo de querer saber do aprendente. O modo como uma pessoa relaciona-se com o conhecimento se repete e muda ao longo de sua vida nas diferentes áreas.

O conhecimento acontece quando alguns esquemas operaram e utilizam diferentes situações de aprendizagem, é um molde relacional e móvel que se transforma com o uso, é a organização do conjunto de aspectos (conscientes, inconscientes e pré-conscientes) da ordem da significação, da lógica, da simbólica, da corporeidade e da estética, tal organização ocorre espontaneamente, isto se chama modalidade de aprendizagem, segundo Fernandes, sendo que o problema de aprendizagem ocorre quando essa modalidade se enrijece, congela.

Cada pessoa tem uma modalidade singular de aprendizagem, que se organiza a partir dos ensinante (família e escola), considerando a criança como um ser aprendente e que tem capacidade para pensar; do espaço saudável, ou seja, onde seja possível fazer perguntas; das experiências vividas com satisfação em relação ao aprender; do reconhecimento de si mesmo como autor; dos espaços objetivos e subjetivos, onde o jogar seja aceito; de uma possível relação com sujeitos da mesma idade; do modo de circulação do conhecimento nos grupos de pertencimento: família, escola, contexto comunitário.

É importante ressaltar que o sujeito é sempre ativo, é autor do seu conhecimento, ele constrói sua modalidade de aprendizagem e a sua inteligência que marcará uma forma particular de relacionar-se, buscar e construir conhecimentos, um posicionamento de sujeito diante de si mesmo como autor de seu pensamento.

O aprender significa também “perder” algo velho, mas utilizando-o para construir o novo, é o reconhecimento da passagem do tempo, do processo construtivo, o qual remete necessariamente, à autoria. Aprender é historiar-se, pois, sem esse sujeito ativo e autor que significa o mundo, aprendizagem será apenas uma tentativa de cópia.

Para aprender precisamos entender e analisar a relação entre futuro e passado, assim entenderemos todo o processo de aprendizagem, ou seja, o sujeito tem que ser biógrafo de sua história.

Concluímos que a aprendizagem é uma mudança de comportamento, assimilações e informações nas quais o sentido de aprender não é impor barreiras e limites para a criatividade e disponibilidade de cada ser. O desenvolvimento de uma boa aprendizagem é a integração de aspectos: afetivo, físico, emocional, social e intelectual do aprendiz, ocasionando uma motivação interna e construindo o conhecimento a todo o momento.

Noções Básicas sobre a Alfabetização

A alfabetização é a aprendizagem da leitura e da escrita, sendo um processo fundamental para o desenvolvimento humano, pois por meio dela aprendemos a nos comunicar e compreender a linguagem, é isto que nos torna diferente de outros seres vivos. Através da alfabetização o homem torna-se um ser global, sendo social, psicológico e consequentemente inserido na sociedade. A alfabetização se divide em três níveis.

O nível um, chamamos de pré-silábico, subdivide-se em três fases:

  1. Fase Pictórica: a criança escreve “rabiscado”, as chamadas garatujas; ela desenha sem figuração. Esta fase pode ocorrer a partir de 1 ano e meio ou 2 anos até os 3 anos, aproximadamente;  

  1. Fase Gráfica Primitiva: aqui a escrita aparece em forma de símbolos e pseudoletras (pode ou não ser uma letra); há uma mistura de letras com números; demonstra uma linearidade; não tem ideia de que as letras têm relação com os sons da fala; seu pensamento é que para coisas grandes a escrita tem muitas letras e para coisas pequenas tem poucas letras, ex: CACHORRO = ÇLJGHFCBKW3187. Esta fase pode ocorrer dos 3 anos até os 4 anos, aproximadamente;  

  1. Fase Pré-Silábica: a criança começa a diferenciar números de letras; reconhece o papel das letras na escrita, sabendo que as letras servem para escrever, mas não sabe como isso ocorre; não reconhece o valor sonoro convencional; a ordem das letras não é importante; no seu entender não é possível escrever uma palavra com apenas uma letra, ex: CACHORRO = QDRTRDSKLPF. Esta fase pode ocorrer dos 3 anos até os 4 anos, aproximadamente.    


No nível dois, silábico, a criança acredita que já resolveu o problema da escrita, mas a leitura do que a criança escreve ainda é complicada porque os adultos não entendem; a criança utiliza uma letra para cada sílaba ao escrever uma palavra. Pode ser silábico sem valor sonoro, ou seja, para cada sílaba a criança coloca uma letra que não faz parte da palavra, ex: CACHORRO = E U W; Pode ser silábico convicto com valor sonoro, ou seja, para cada sílaba a criança coloca uma das letras que existem na sílaba, ex: CACHORRO = A O R; Pode ser silábico com sobrantes, ou seja, para cada sílaba a criança coloca uma letra, mas acha que a palavra não está completa então coloca mais letras, ex: CACHORRO = A O R E O. Este nível ocorre a partir dos 4 anos de idade até os 5 anos, aproximadamente.    



Nível de transição do silábico ao alfabético

Passando o conflito ela entra no nível três, o alfabético, conseguindo ler e escrever o que pensa e fala; distingue a letra, a sílaba, a palavra e a frase. Este nível ocorre a partir dos 6 anos aproximadamente e termina quando a criança estiver em uma fase ortográfica e gramatical, por volta dos 10 anos de idade, aproximadamente. 




A criança escreve o que sabe, sendo através de desenhos ou na tentativa de uma escrita, então não é surpreendente que a aprendizagem da leitura e escrita exija um grande esforço da criança, passando por um período de muitas dificuldades.

Devemos considerar que a aprendizagem da leitura e da escrita vai muito mais além da escola, porque o tempo todo, a criança está em contato com isto, sendo na rua, em casa, com os amiguinhos etc.

A alfabetização inicial é considerada em função da relação entre o método utilizado e o estado de maturidade da criança. A instituição social criada para controlar o processo de aprendizagem é a escola, e é na escola que ocorrerá grande parte da aquisição da leitura e da escrita. Porém, o sujeito desde que nasce é construtor do conhecimento e podemos dizer que os mesmos estão construindo objetos complexos de conhecimento e o sistema de escrita é um deles.

Há uma série de passos ordenados antes que a criança compreenda a natureza do nosso sistema alfabético de escrita e que cada passo caracteriza-se por esquemas, cujo desenvolvimento e transformação constituem nosso principal objeto de estudo. Esses esquemas implicam sempre um processo construtivo no qual as crianças levam em conta parte da informação dada e introduzem sempre, ao mesmo tempo, algo de pessoal.

Mas, atenção! Toda criança tem seu tempo. Além de respeitar o tempo de maturidade linguística das crianças com base neste texto, também é importante respeitar o tempo de cada criança. Porém, se depois de ler este texto você percebeu que seu filho ou aluno encontra-se em um nível muito abaixo do esperado, pode ser que ele tenha alguma modalidade patológica de aprendizagem, ou seja, uma dificuldade de aprendizagem.  

As Dificuldades de Aprendizagem e a Indisciplina

Você já parou pra pensar de que forma você aprende?  

Algumas pessoas aprendem melhor lendo, outras assistindo, outras fazendo, enfim, cada um de nós apresenta uma forma particular para aprender. Isso significa que cada um de nós tem sua modalidade de aprendizagem individual, que oferece uma maneira própria de aproximar-se do que precisamos aprender. A modalidade de aprendizagem é construída desde o nascimento do indivíduo, através da qual ele enfrenta com angústia as situações de aprender e não aprender.  

O objeto de aprendizagem/conhecimento faz parte de um conjunto de "coisas" que estamos dispostos a aprender, pode ser um conteúdo escolar, dirigir, andar de bicicleta, cozinhar e muito mais.  
Muitos alunos não aprendem no mesmo ritmo que outros por motivos de dificuldades para aprender, com queixas de indisciplina, pois as modalidades de aprendizagem de alguns podem ser confundidas com outros tipos de problemas de aprendizagem e comportamento, como por exemplo, hiperatividade, preguiça, rebeldia entre outros.  

A maioria dos professores/educadores em nosso país, assim como a maioria das nossas escolas tem seus projetos educacionais baseados na epistemologia genética de Jean Piaget, que refere-se as fases do desenvolvimento infantil relacionado ao nível cognitivo em cada fase da vida. Porém, poucos professores/educadores voltam seu olhar para o modo como o sujeito aprende.

Podemos dizer que para Piaget a aprendizagem ocorre na adaptação. A adaptação é o equilíbrio entre a assimilação e a acomodação do objeto de aprendizagem, ou seja, assimilação é o processo de adaptação pelo qual os elementos do meio são alterados para serem incorporados pelo sujeito e acomodação consiste em adaptar-se para que ocorra a internalização do objeto transformado.  

O conceito de Modalidade de Aprendizagem foi dado por Alicia Fernandez (1991), e segundo Sara Pain (1986), as modalidades de aprendizagem do indivíduo, por sua vez, dependem das modalidades de inteligência. Pain considera que os referidos movimentos piagetianos, quando passam por vínculos negativos, desenvolvem uma hiper e/ou hipoacomodação, ou uma hiper e/ou hipoassimilação, que construirão, no sujeito, modalidades de inteligência patológica, ou seja, a dificuldade de aprendizagem, consequentemente levando a um possível problema de comportamento. 

Modalidades de inteligência/aprendizagem de acordo com a visão de Fernandez (1991) e Pain (1986), estabelecendo as relações e suas conseqüências:   

Hipoassimilação    


  • Modalidade: pobreza de contato com o objeto de aprendizagem/conhecimento, esquemas de objetos empobrecidos. 
  • Consequência: incapacidade de coordenar estes esquemas, déficit lúdico e criativo, prejuízo da função antecipatória, da imaginação e da criação. Quer tudo pronto ou necessita de modelos.   


Hiperassimilação    


  • Modalidade: precocidade na internalização dos esquemas representativos, predomínio do lúdico e da fantasia, subjetivação excessiva; confundidos com diagnósticos de Hiperatividade.  
  • Consequência: não permite antecipação de transformações, desrealização do pensamento, resistência aos limites, não aceita regras, dificuldade para resignar-se.   


Hipoacomodação    


  • Modalidade: não respeito ao ritmo, tempo da criança não obediência à necessidade de repetição de uma experiência, reduzido contato com o objeto, é mais lento que outras crianças para entender ou reproduzir determinada tarefa.  
  • Consequência: déficit na representação simbólica, dificuldade na internalização das imagens, problemas na aquisição da linguagem, falta de estimulação, abandono daquilo que não se aprende. Falta de interesse pela escola.  


Hiperacomodação    


  • Modalidade: superestimação da imitação, reduzido contato com a subjetividade, falta de iniciativa, obediência cega às normas, submissão, não dispõe de suas experiências anteriores.  
  • Consequência: super estimulação da imitação, falta de iniciativa, obediência às normas, submissão.  


A partir deste esquema sobre as modalidades de aprendizagem/inteligência, o sujeito constrói sua não aprendizagem, da seguinte forma:    

Hipoassimilação/Hiperacomodação 
 

  • Alunos “bonzinhos”, mas não colocam significados; tem problemas de interpretação de textos, questões, problemas; muitos são confundidos com disléxicos ou TDA; imitação estereotipada. Não entendem o conteúdo escolar, deixa as coisas inacabadas, deixa tudo pra última hora, responde qualquer coisa na prova. Modalidade dominante na escola - muitos alunos com dificuldades escolares apresentam esta modalidade.   


Hiperassimilação/Hipoacomodação  


  • Problemas de aprendizagem com estrutura psicótica. Mudanças de humor constantes, manias, obsessão.  


Hipoassimilação/Hipoacomodação    


  • Não reproduz, não fantasia, não tem um ritmo satisfatório para a idade. Inibição Cognitiva. Pode ser confundido com o autista.  


Hiperassimilação/Hiperacomodação


  • Assimilam e acomodam apenas o que for de seu interesse. A indisciplina predomina. Tem um perfil desafiador. Pode ser confundido com o TDO – Transtorno Desafiador Opositivo - Distúrbio infantil caracterizado pelo comportamento desafiador e desobediente em relação às figuras de autoridade.  



Como agir nas Dificuldades

As modalidades de aprendizagem que interferem neste processo dizem respeito não exclusivamente ao aluno/aprendente, mas também ao professor/ensinante (professores, pais, psicopedagogo). Isso nos leva a refletir na nossa própria modalidade de aprendizagem, uma vez que ela poderá construir uma modalidade de ensinamento geradora de outras modalidades de aprendizagem patológicas, ou seja, a nossa modalidade em particular pode estar contribuindo para as dificuldades dos nossos filhos, alunos, pacientes... Reflita!

Para que a aprendizagem provoque uma efetiva mudança de comportamento e amplie cada vez mais o potencial do educando, é necessário que ele perceba a relação entre o que está aprendendo e a sua vida, ou seja, o sujeito precisa ser capaz de reconhecer as situações em que aplicará o novo conhecimento ou habilidade.

Podem-se citar seis características básicas da aprendizagem, segundo Campos (1987):

  1. Processo dinâmico: nesse processo a aprendizagem só se faz através da atividade do aprendiz, envolvendo a participação total e global do indivíduo. Ou seja, na escola, o aluno aprende pela participação em atividades, tais como leitura de textos, ouvindo as explicações do professor, pesquisando e interagindo. Assim, a aprendizagem escolar depende não só do conteúdo dos livros, nem só do que o professor ensina, mas muito mais da reação dos alunos.
  2. Processo contínuo: a aprendizagem está sempre presente, desde o início da vida. Por exemplo, ao sugar o seio materno, a criança enfrenta o primeiro problema de aprendizagem: terá que coordenar movimentos de sucção, deglutição e respiração. É um processo de aprendizagem desde a idade escolar, na adolescência, na idade adulta e até em idade mais avançada, na terceira idade.
  3. Processo global ou compósito: o comportamento humano é considerado como global ou compósito, pois inclui sempre aspectos motores, emocionais e ideativos ou mentais. Portanto, a aprendizagem, envolvendo uma mudança de comportamento, terá que exigir a participação total e global do indivíduo, para que todos os aspectos constitutivos de sua personalidade entrem em atividade no ato de aprender, a fim de que seja restabelecido o equilíbrio vital, rompido pelo aparecimento de uma situação problemática.
  4. Processo pessoal: a aprendizagem é considerada intransferível de um indivíduo para outro: ninguém pode aprender por outrem. Portanto, a maneira de aprender e o próprio ritmo da aprendizagem variam de indivíduo para indivíduo, face ao caráter pessoal da aprendizagem.
  5. Processo gradativo: cada aprendizagem se realiza através de operações crescentemente complexas, ou seja, em cada nova situação, envolve maior número de elementos. Então, cada nova aprendizagem acresce novos elementos à experiência anterior.
  6. Processo cumulativo: ao analisar o ato de aprender, verifica-se que, além da maturação, a aprendizagem resulta de atividade anterior, ou seja, da experiência individual, onde ninguém aprende senão por si e em si mesmo, pela auto modificação.

De acordo com a concepção da Análise do Comportamento, o processo de aprendizagem acontece na relação entre o objeto de conhecimento e o aluno. O professor programa a forma como o objeto de conhecimento será organizado, respeitando as características individuais do aluno. O objetivo é que o aluno se interesse pelo processo de conhecimento e aja sobre o objeto de conhecimento.

Para que ocorra uma aprendizagem sadia, o aluno não deve assumir uma posição passiva durante o aprendizado. Pelo contrário, responder a questões, formular questões e relacionar diferentes conteúdos é fundamental. Para que a aprendizagem seja mais efetiva, o professor/ensinante deve investigar o nível de conhecimento do aluno, identificando seus pontos fortes e fracos e adaptando os conteúdos de forma a facilitar o ensino.

Não há uma receita pronta, ensinar não é o mesmo que preparar um bolo, por exemplo, pois cada sujeito é único e sua modalidade de aprendizagem também. Porém, espero que este curso tenha lhe ajudado a encontrar algum novo caminho e se precisar conte comigo.   


Profª Dra. Regiane Souza Neves - Doutorado e Mestrado em Saúde Mental com ênfase em Psicanálise Clínica; Pós-graduação em Docência do Ensino Superior; Pós-graduação em Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica; Pós-graduação em Ciências Políticas; Aperfeiçoamento em Psicologia do Desenvolvimento da Aprendizagem; Aperfeiçoamento em Neuropsicopedagogia; Aperfeiçoamento em Psicologia Infantil; Aperfeiçoamento em Distúrbios da Aprendizagem; Aperfeiçoamento em Neuropedagogia; Aperfeiçoamento em Psicopedagogia: avaliação e diagnóstico; Graduação em Psicopedagogia com habilitação em Orientação Vocacional e Profissional; Aperfeiçoamento em Direito Educacional; Aperfeiçoamento em Orientação Educacional; Aperfeiçoamento em Gestão e Supervisão Educacional; Aperfeiçoamento em Direção Escolar; Aperfeiçoamento em Gestão Pública; Aperfeiçoamento em Marketing Político; Técnico em Comunicação Social (CESM - MTB 75983/SP).

Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução deste texto ou parte dele com fins comerciais sem prévia autorização da autora. Lei nº 9.610 de 19/02/1998, com alterações dadas pela Lei nº 12.853, de 2013.
Número ISBN: 978-85-917662-0-8
Título: Desenvolvimento educacional: um olhar psicopedagógico para os problemas de aprendizagem.

Para usar como referencia: 
SOUZA NEVES, Regiane. Desenvolvimento educacional: um olhar psicopedagógico para os problemas de aprendizagem.  Souza & Neves Edições. São Paulo, 2014


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