Transtorno Global do Desenvolvimento e Transtorno do Espectro Autista


O Transtorno do Espectro Autista faz parte do TGD. O Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) é considerado como um conjunto de distúrbios que influenciam as interações sociais. Primeiramente, uma pessoa com TGD pode ser diagnosticada como alguém que tenha autismo, pois os distúrbios do TGD são os mesmos apresentados pelo TEA, Transtorno do Espectro Autista. Além disso, considera-se outros transtornos como as Psicoses Infantis, a Síndrome de Rett, a Síndrome de Asperger, a Síndrome de Kanner e o Transtorno Desintegrativo da Infância.

O Transtorno Global do Desenvolvimento também causa variações na atenção, na concentração e, eventualmente, na coordenação motora. Mudanças de humor sem causa aparente e acessos de agressividade são comuns em alguns casos. As crianças apresentam seus interesses de maneira diferenciada e podem fixar sua atenção em uma só atividade, como observar determinados objetos, por exemplo. Dependendo do nível da gravidade pode ter comprometida a fala e demais aspectos sensores.


Transtorno do Espectro Autista

Os muitos sinais de alerta já indicam que não existe “A” criança autista, no sentido delimitado de quadro sintomático. Portanto, não existe “a” intervenção que funcione para todos. Pois, cada autista é um autista único e se desenvolve de forma singular.

Embora não se conheça ao certo as origens, sabe-se que a predisposição genética aliada a fatores ambientais, é o gatilho para o aparecimento dos sintomas. Os sintomas podem variar dos muito leves aos muito severos com comprometimentos na socialização, comunicação e imaginação (interesses), desde o retardo mental severo à inteligência normal com habilidades muito acima do normal em algumas áreas.

Os distúrbios na área da sociabilidade incluem prejuízos nos comportamentos não verbais, na interação social (ausência ou diminuição do contato ocular, gestos, expressões faciais e sinais convencionais expressivos de desejo ou emoções), impossibilidade de desenvolvimento de relações sociais apropriadas especialmente com indivíduos da mesma idade, inabilidade em compartilhar interesses e satisfação com os outros e falha na reciprocidade social emocional.

As pessoas com autismo clássico costumam ter atrasos linguísticos significativos, desafios sociais e de comunicação e comportamentos e interesses incomuns. Muitas pessoas com transtorno autista também têm deficiência intelectual.

As pessoas com autismo podem ter também uma sensibilidade muito diferente das pessoas com desenvolvimento típico com relação aos estímulos sonoros, olfativos, gustativos, visuais e ao tato. É comum elas colocarem as mãos nos ouvidos frente a alguns ruídos, e em festinhas podem ficar extremamente desorganizadas na presença de balões estourando e de palmas na hora de cantar parabéns. Pessoas com autismo podem também explorar situações novas (objetos ou pessoas) utilizando o olfato (cheirando) e gustação (lambendo). Em relação ao tato, muitas vezes não conseguem tolerar certas texturas de roupa e podem parecer sentir menos dor que as outras crianças. Muitos indivíduos com autismo apresentam uma seletividade alimentar, ou seja, eles escolhem apenas alguns tipos de comida para ingerir e essa escolha muitas vezes é pela consistência (só alimentos pastosos, líquidos), pela cor (só alimentos vermelhos) ou pelo paladar. Alguns autistas apresentam problemas para assimilar cores, na verdade pode ser que uma cor ou outra cause irritação ocular (independente da intensidade da cor), pode causar um desconforto ao olhar e isso faz com que tenha um comportamento atípico e queira se livrar da cor, batendo, arranhando etc. Também apresentam dificuldade no processamento do som, em alguns casos pode demorar segundos para que internalize o som da fala de alguém, por isso é importante falar com o autista de forma clara, objetiva e se possível bem próximo dele, mesmo assim pode demorar alguns segundos para ele responder ao chamado.

As medicações, quando necessárias, são utilizadas para tratamento dos sintomas periféricos que podem estar associados com o quadro (insônia, hiperatividade, ansiedade, espasmos psicomotores que podem levar a um comportamento "agressivo") e até o momento não existem medicações para o tratamento dos sintomas centrais do quadro.


Síndrome de Asperger

Síndrome de Asperger é um transtorno enquadrado dentro da categoria de transtornos globais do desenvolvimento. Ela foi considerada, por muitos anos, uma condição distinta, porém próxima e bastante relacionada ao autismo. A Síndrome de Asperger, assim como o autismo, foi incorporada a um novo termo médico e englobador, chamado de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Com essa nova definição, a síndrome passa a ser considerada, portanto, uma forma mais branda de autismo. Dessa forma, os pacientes são diagnosticados apenas em graus de comprometimento, dessa forma o diagnóstico fica mais completo. As crianças com Asperger não apresentam grandes atrasos no desenvolvimento da fala e nem sofrem com comprometimento cognitivo, pois uma forte característica é que os Aspergers tem uma condição neurobiológica dentro dos padrões normais, um desenvolvimento cognitivo alinhado ao desenvolvimento linguístico podem inclusive ser fatores que distanciam o real diagnóstico. Essas crianças costumam escolher temas de interesse, que podem ser únicos por longos períodos de tempo - quando gostam do tema "dinossauros", por exemplo, falam repetidamente nesse assunto. Habilidades incomuns, como memorização de sequências matemáticas ou de mapas, são bastante presentes em pessoas com essa síndrome. Podem ter dificuldade na interação com outras pessoas, não compreendem "comandos", regras e são mais difíceis de estabelecer determinados limites, por este motivo podem estar a todo momento angustiados e inseridos em situações conflituosas com familiares, professores e colegas. No desenvolvimento motor, hierarquização motora, lateralidade e coordenação motora fina, podem apresentar dificuldades e até pequenos espasmos ou movimentos repetitivos, quando submetidos a atividades físicas estressantes e demandam força e movimentos bruscos. Não se sentem confortáveis em locais com muito barulho e com muitas pessoas. São pessoas que gostam e precisam muito de rotina estabelecida e qualquer alteração na sua rotina diária deve ser avisada com antecedência. O tratamento terapêutico ajuda muito a pessoa a lidar com as dificuldades. Recomendável um neuropsicopedagogo e psicomotricista para ajustar as atividades ao seu nível de entendimento e desenvolvimento.


Transtorno Desintegrativo da Infância

Transtorno Desintegrativo da Infância, ou Síndrome de Heller, é um tipo de transtorno global do desenvolvimento geralmente diagnosticado pela primeira vez na infância ou adolescência. Este transtorno caracteriza-se por uma perda clinicamente significativa de habilidades já adquiridas e uma maior probabilidade de Retardo Mental. Os sintomas do Transtorno Desintegrativo da Infância possuem algumas semelhanças com os do autismo, porém, é preciso deixar claro que são condições diferentes. Embora ambos façam parte da mesma categoria, chamada TGD, no TDI ocorre uma regressão severa após vários anos de desenvolvimento normal e uma perda de habilidades mais intensa do que uma criança com autismo costuma apresentar. Além disso, o Transtorno Desintegrativo da Infância pode se desenvolver mais tardiamente do que o autismo.



Síndrome de Kanner

Síndrome que se caracteriza por grave comportamento infantil manifestado por paragem de desenvolvimento da interação social, da comunicação, da linguagem e do relacionamento. Transtornos de neurodesenvolvimento nos quais ocorre uma ruptura nos processos fundamentais de socialização, comunicação e aprendizado. 


Síndrome de Rett

A Síndrome de Rett é uma doença neurológica provocada por uma mutação genética que atinge, na maioria dos casos, crianças do sexo feminino. Caracteriza-se pela perda progressiva de funções neurológicas e motoras após meses de desenvolvimento aparentemente normal - em geral, até os 18 meses de vida. Após esse período, as habilidades de fala, capacidade de andar e o controle do uso das mãos começam a regredir, sendo substituídos por movimentos estereotipados, involuntários ou repetitivos. Palavras aprendidas também são esquecidas, levando a uma crescente interrupção do contato social. A comunicação para essas meninas gradativamente se dá apenas pelo olhar.

É comum que a criança com Síndrome de Rett fique "molinha" e apresente desaceleração do crescimento. Distúrbios respiratórios e do sono também são comuns, especialmente entre os 2 e os 4 anos de idade. A partir dos 10 anos, o aparecimento de escolioses e de rigidez muscular fazem com que muitas crianças percam totalmente a mobilidade. Isso, associado a quadros mais ou menos graves de deficiência intelectual.

A Síndrome de Rett é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) e uma das principais causas de deficiência múltipla em meninas.


Psicose Infantil

A psiquiatria infantil definiu a psicose infantil como um transtorno de personalidade dependente de um transtorno da organização de eu e da relação da criança com o meio ambiente.

Tradicionalmente os psiquiatras definem o termo psicose como um distúrbio no sentido da realidade. Em contrapartida, numa visão psicodinâmica a psicose seria uma desorganização da personalidade podendo então ser compreendida como uma confusão entre o mundo imaginário e perceptivo na ausência do Ego (Freud), estrutura limitante entre esses dois mundos.

Características do psicótico infantil:

  • Dificuldades de se afastar da mãe;
  • Problemas na compreensão do que vê;
  • Problema na compreensão dos gestos e da linguagem;
  • Alterações marcantes na forma ou conteúdo do discurso, repetindo imediatamente palavras e/ou frases ouvidas (fala ecolálica), ou utilizando-se de estereotipias verbais e de frases ouvidas anteriormente e empregadas de forma idiossincrática. A inversão pronominal é comum, a criança se refere a ela mesma utilizando-se da terceira pessoa do singular ou do seu nome próprio;
  • Alterações marcantes na produção da fala, com peculiaridades quanto à altura, ritmo e modulação, habilidades especiais. Conduta socialmente embaraçosa.

Os profissionais que atendem as pessoas pertencentes ao espectro autístico necessitam compreender as peculiaridades envolvidas na maneira como elas veem e vivem o dia-a-dia. A troca de experiências entre a saúde e a educação deve se tornar uma constante parceria. Somente desta maneira, os problemas serão solucionados de maneira harmoniosa e eficaz.

Enfim, espero ter colaborado com algumas de suas dúvidas. Se você se interessou sobre o assunto ou quer entender melhor as dificuldades do seu filho ou aluno, entre em contato e agende uma sessão de orientação. Para profissionais da psicopedagogia que necessitam de auxilio para diagnóstico e intervenção adequada, realizo supervisão nos seus atendimentos. 

Agende uma consulta com a Dra. Regiane pelo Whatsapp 11 93215-1900. Consultórios em Osasco, São Paulo e Alphaville.

Consultas à partir de: R$ 100,00 para crianças e adolescentes / R$ 120,00 para adultos. Supervisão para profissionais à partir de: R$ 150,00.


Dra. Regiane Souza Neves - Tem 42 anos, é casada com o Jornalista Marcelo Neves há 20 anos, mãe de Bruno 18 anos e Allan 17 anos. É doutora e mestra em psicanálise; psicopedagoga e neuropsicopedagoga; psicomotricista; neuropsicóloga; orientadora vocacional; especialista em educação, inclusão, legislação educacional, saúde mental e políticas públicas. Técnica em magistério público e comunicação social. Atua há 25 anos na área da educação onde foi auxiliar de sala, professora, coordenadora e diretora, sendo que nesta última função permaneceu por 19 anos. Também atua há 10 anos na área de psicoterapia e análise comportamental e institucional. Está devidamente cadastrada no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, para atuar como Perita Judicial e Extrajudicial, nas suas áreas de conhecimento técnico-científico. Atualmente, coordena e ministra aulas em programas de pós-graduação e, além de atender clinicamente, também realiza consultoria educacional para várias instituições de ensino e órgãos públicos. Tem 11 livros publicados com 56 selos de recomendações de importantes instituições. Realiza palestras, treinamentos, cursos, workshops, seminários, colóquios, conferências, mesas redondas e congressos. Desde 2013, é mantenedora e diretora do CEADEH Centro de Estudos Avançados em Desenvolvimento Educacional e Humano. Foi presidente nacional da ABRAPEE Associação Brasileira de Profissionais e Especialistas em Educação, no período de 2013 à 2018. Dedica-se a causas sociais e se tornou Embaixadora no Brasil de uma campanha mundial, durante o período de 2015 à 2018. Recebeu 27 prêmios e homenagens nacionais e internacionais.