O que é DSM?


Em 1840, nos EUA, iniciava-se um processo de censo sobre as dificuldades psíquicas do ser humano, dividindo em duas categorias "idiotia e loucura", ainda mediante as primeiras ideias sobre o comportamento humano. 

Visando o melhor atendimento dos veteranos de guerra, no século XX, o exército norte-americano desenvolveu uma complexa categorização e, em 1948, com a influência desse instrumento, a OMS (Organização Mundial da Saúde) incluiu uma sessão de Transtornos Mentais no CID-6 (Classificação Internacional de Doenças, 6ª edição). Sendo que hoje já estamos no CID-10.

E, foi em 1953, que a APA (Associação Americana de Psiquiatria) publicou a primeira edição do DSM (Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais). Sendo o principal instrumento focado na atuação clínica que, apesar de simples, serviu para motivar uma série de revisões e atualizações importantes.

A primeira alteração, em 1968, era pequena e bastante similar ao primeiro exemplar. Desenvolvida paralelamente ao CID-8.

Em 1880, já falava-se, de alguma forma, em Transtornos Mentais, porém numa divisão simplista, mas que já era mais preparada do que a anterior. Dividindo o censo, agora, em sete categorias: mania, melancolia, monomania, paresia, demência, dipsomania e epilepsia.

E, foi em 1980, que a terceira edição trouxe diversas modificações de metodologia e estrutura, resultando em um grande avanço nos diagnósticos de Transtornos Mentais e facilitando as pesquisas na área.

Com o avanço dessas pesquisas e as novas descobertas, em 1994, foi lançado do DSM – IV, com a inclusão de diversos novos diagnósticos, com critérios mais claros e precisos. Hoje, já estamos na 5ª edição do Manual, que vem se desenvolvendo e se destacando como uma ferramenta primordial para o diagnóstico clínico.

Para que serve o DSM?

O Manual descreve as características mais comuns, ou seja, os principais sintomas, de diversos Transtornos Mentais, sendo dividido de forma prática e simples, mas completa.

O objetivo do Manual é auxiliar no diagnóstico, tornando-o mais preciso, desta forma, visando o melhor e mais eficaz tratamento, e evitando erros e procedimentos desnecessários aos pacientes (como medicações indevidas e tratamentos não efetivos).

Dentro do ambiente clínico, para alguns Psicólogos/Psicanalistas/Psicopedagogos, o uso não é muito comum (vide que muitos nem o conhecem na faculdade), mas deveria ser. Pois, os critérios diagnósticos nele apresentados auxiliam no dia a dia da clínica, ajudando a entender melhor os nossos pacientes e proporcionar o melhor acompanhamento, bem como possíveis indicações ao Psiquiatra.

Além disso, o Manual auxilia no desenvolvimento de relatórios e, até mesmo, na leitura deles quando vem de Psiquiatras ou outros médicos, a medida que conseguimos conciliar a numeração com o CID apresentado.

Quais são as mudanças nessa nova versão:

Transtorno de acumulação: Persistente dificuldade de se desfazer de bens, independentemente de seu valor e utilidade real;
Transtorno da oscilação disruptiva do humor: Mudanças de humor bruscas, frequentes e prejudiciais a diversas áreas da vida;
Transtorno da compulsão alimentar periódica: Vontade irresistível e frequente de comer excessivamente;
Transtorno de hipersexualidade: Adicção em fazer sexo a ponto de prejudicar significativamente áreas da vida;
Transtorno de arrancar pele: Compulsão de arrancar a própria pele até causar ferimentos;
Adicção a internet: Usar a internet a ponto de prejudicar seriamente e frequentemente mais de uma área da vida;
Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo: Distúrbio caracterizado pela recusa de diversos alimentos e alimentação anormal;
Transtorno do Espectro do Autismo: Integração dos diagnósticos do espectro autista;
Disforia de gênero: Mal estar com o próprio gênero, novo nome transtorno de identidade de gênero;
Desordem de aprendizagem: Integra os diagnósticos de dificuldades para aprender a ler (dislexia), escrever (disgrafia), falar (dislalia), fazer contas (discalculia) e depois subdivide com termos mais claros e objetivos (exemplo: "Desordem na aprendizagem da escrita" ao invés de "disgrafia").

Bibliografia:

ARAUJO, A. C; NETO, F. L “A Nova Classificação Americana para os Transtornos Mentais: O DSM – V”, Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, volume 16, nº 01, São Paulo/SP, Abril de 2014.

Dra. Regiane Souza Neves - Tem 42 anos, é casada com o Jornalista Marcelo Neves há 20 anos, mãe de Bruno 18 anos e Allan 17 anos. É doutora e mestra em psicanálise; psicopedagoga e neuropsicopedagoga; psicomotricista; neuropsicóloga; orientadora vocacional; especialista em educação, inclusão, legislação educacional, saúde mental e políticas públicas. Técnica em magistério público e comunicação social. Atua há 25 anos na área da educação onde foi auxiliar de sala, professora, coordenadora e diretora, sendo que nesta última função permaneceu por 19 anos. Também atua há 10 anos na área de psicoterapia e análise comportamental e institucional. Está devidamente cadastrada no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, para atuar como Perita Judicial e Extrajudicial, nas suas áreas de conhecimento técnico-científico. Atualmente, coordena e ministra aulas em programas de pós-graduação e, além de atender clinicamente, também realiza consultoria educacional para várias instituições de ensino e órgãos públicos. Tem 11 livros publicados com 56 selos de recomendações de importantes instituições. Realiza palestras, treinamentos, cursos, workshops, seminários, colóquios, conferências, mesas redondas e congressos. Desde 2013, é mantenedora e diretora do CEADEH Centro de Estudos Avançados em Desenvolvimento Educacional e Humano. Foi presidente nacional da ABRAPEE Associação Brasileira de Profissionais e Especialistas em Educação, no período de 2013 à 2018. Dedica-se a causas sociais e se tornou Embaixadora no Brasil de uma campanha mundial, durante o período de 2015 à 2018. Recebeu 27 prêmios e homenagens nacionais e internacionais.