Autismo e Agressividade


Este é um capítulo do artigo que apresentei na conclusão do curso de pós-graduação em Especialização em Neuropsicologia. 
Se quiser usar como referencia, por gentileza utilize o seguinte crédito: Souza Neves, Regiane. Qualidade e veracidade dos diagnósticos e intervenções para o autismo - TEA. São Paulo, 2019.


Uma queixa comum no ambiente escolar refere-se a como podemos lidar com o comportamento agressivo das crianças com autismo em sala de aula. Antes de mais nada, é importante ficar claro que o autismo não causa agressividade. Pessoas diagnosticadas com autismo, crianças e adultos, não são mais agressivas do que pessoas de desenvolvimento típico. Porém, em algumas ocasiões, tal como todos nós, crianças e adultos diagnosticados com autismo também ficam frustradas e podem exibir "comportamentos que aparentemente são agressivos". Além disso, por conta de dificuldades de comunicação, pessoas com o diagnóstico de autismo podem usar do comportamento agressivo como uma forma de expressar suas necessidades, preferências e vontades, ou seja, se comunicar.

É importante lembrar, no entanto, que há casos em que a segurança e bem estar do próprio indivíduo, colegas ou profissionais pode estar ameaçada por conta da intensidade e gravidade de alguns desses comportamentos. É, portanto, necessário avaliarmos constantemente se temos as condições que precisamos em sala de aula para que possamos manter adequadamente a segurança de todos.

O termo comportamento agressivo é bastante amplo e pode se referir a muitas formas de comportamento. O termo autoagressão se refere aqueles comportamentos agressivos que são dirigidos ao próprio indivíduo. Pessoas diagnosticadas com autismo, podem machucar a si próprias através de comportamentos de autoagressão como tapas no próprio rosto, socos, mordidas, beliscões, batidas da cabeça contra o chão etc. Além disso, comportamentos menos intensos podem também caracterizar autoagressão, pois, com o tempo, podem produzir lesões significativas. Vemos isso em casos em que os indivíduos exibem comportamentos muito repetitivos ou persistentes como, por exemplo, esfregar o queixo no ombro, coçar ou cutucar a orelha, cutucar feridas etc.

Sempre que um autista se mostrar agressivo, entenda isso como um sinal de alerta. O autista nunca é agressivo a toa. Muitos não sabem lidar com a sobrecarga sensorial, com os vários estímulos diários e isso pode fazer com que eles se tornem agressivos. A agressão é o resultado de uma ação, ou seja, uma reação à ação do outro.

Não chame a atenção do autista em tom de voz alta, nunca revide ou ignore. Deixar de castigo não vai adiantar e inclusive o deixará ainda mais nervoso. Esse é apenas um sinal de que algo está errado, que algo não vai bem. Procure compreender, procure enxergar os motivos. Tire ele do foco do problema e o acolha, diga que sabe o que está sentindo e que se acalme. Para os autistas não verbais é ainda mais difícil pois não conseguem colocar para fora o que sentem de forma verbal e a única maneira que eles tem é se expressando corporalmente, onde acabam sendo agressivos.

É comum as crianças se indisporem durante o horário de recreio ou de atividades estressantes e serem agressivas, aparentemente, sem razão, mas na verdade ela pode estar se sentindo confusa e em conflito com todas as informações que recebe neste momento. Ao invés de chamar a sua atenção ou colocar de castigo, dê a ela um espaço, as vezes ela só precisa de um tempinho para se regular e aliviar a sobrecarga.

MELTDOWN 

Meltdown também conhecido como colapso é uma falta de controle emocional do indivíduo. Pode ser provocado por uma frustração ou estresse e se manifestar através de gritos, movimentos repetitivos, agitação, autoagressão ou agressão a outra pessoa. Depois disso a criança se acalma. Parece que descarregou uma energia ruim e se tranquiliza. Por isso, deixe a criança respirar, a acompanhe para um local diferente, com menos pessoas e estímulos, retire objetos perigosos do seu entorno para que não se machuque ou machuque outras pessoas e espere se acalmar. Quando estiver calma a abrace, dê amor e compreenda seus sentimentos. Diga que está tudo bem.

Essas dicas são válidas não somente para os professores, mas também para os pais e para todos os que lidam com autistas diariamente.

Entender um autista é muito complexo, mas com carinho, amor e empatia, tudo é possível.

Dra. Regiane Souza Neves
- Psicoterapêuta
- Neuropsicopedagoga
- Neuropsicóloga
- Psicopedagoga
- Psicanalista
- Psicomotricista
- Orientadora Vocacional e Profissional
- Diagnóstico e intervenção para os problemas emocionais, cognitivos e sociais que interferem na aprendizagem e comportamento

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