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Autismo e Birra x Crises


Este é um resumo do capítulo do meu livro: 

SOUZA NEVES, Regiane. Transtorno do Espectro Autista: Conhecer, Diagnosticar, Intervir e Orientar. Souza & Neves Edições. Clube de Autores. 1ª edição. São Paulo, 2019

As birras e as crises podem parecer semelhantes à primeira vista, especialmente quando o seu filho está a ter uma, mas na verdade são muito diferentes entre si. 

Crianças autistas também podem ter birras por querem que suas vontades sejam obedecidas e particularmente nos casos em que as crianças têm problemas de processamento sensorial, ou falta de autocontrole, as crises podem ocorrer. Saber a diferença entre uma birra e uma crise pode ajudá-lo a responder de forma solidária e com sentido. É extremamente comum que haja uma determinada associação e até mesmo uma confusão entre a birra e a crise, sobretudo quando o assunto é o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ambas as situações costumam ser usadas para o mesmo caso, mas é preciso esclarecer que isso não é correto. Existem diferenças pontuais que especifica esses quadros.

Birras

A birra pode ser definida como um comportamento originado de algum descontentamento, geralmente acompanhado de choros, gritos e outras atitudes.  Ela é intencional e é usada estrategicamente para que a criança, no caso, consiga algo que fora negada a ela. Assim que o pequeno recebe o que ele desejava, a birra acaba.

Uma criança pode fazer uma birra quando tenta obter algo. Por exemplo, pode fazer uma cena quando não pode jogar um jogo, ou pode gritar e espernear para conseguir atenção. Não obstante este comportamento ser aparentemente inapropriado, a criança faz uma birra por uma razão e tem algum controle sobre ela. Pode parar o tempo necessário para garantir que alguém está lhe dando atenção e voltar à birra assim que for o centro das atenções. As birras tipicamente param quando a criança consegue o que quer ou quando se percebe que não irá conseguir o que quer agindo desta forma.

Crises

Uma criança pode ter uma crise quando se sentir sobrecarregada de emoções e sentimentos que não domina. As crises são normalmente resultado de uma sobrecarga sensorial, quando o que acontece é simplesmente haver informação em excesso para ser processada pelo cérebro da criança. Para algumas das crianças, um parque de diversões pode produzir informação sensorial, incluindo cenários, sons e cheiros, mais depressa do que a criança consegue processá-la. Para outras crianças, a perspectiva de ter que tomar um grande número de decisões pode provocar uma crise. Para estas crianças, algo tão simples quanto experimentar novas roupas para levar para a escola ou fazer um teste importante pode causar uma crise. 

Lidar com Birras e Crises

Birras e crises são diferentes, mas é preciso que use uma abordagem semelhante com cada uma delas. 

Para lidar com uma birra, reconheça os desejos do seu filho sem ceder a eles. “Compreendo que você quer mais doces. Vai poder comê-los após o jantar”. Depois o ajude a usar uma forma de comunicar-se de forma calma para conseguir o que quer. “Quando você tiver acabado de gritar e conseguir falar calmamente, me diz que tipo de doce vai querer para sobremesa”. 

Para lidar com uma crise, ajude o seu filho a encontrar um lugar sossegado para se acalmar. Um ambiente calmo da ao cérebro do seu filho a oportunidade de ter um momento para processar a informação sensorial. Convide-o a ir para um lugar tranquilo. Sente-se calmamente com o seu filho e seja apenas uma presença tranquilizadora. O objetivo final é reduzir a quantidade de informação recebida pelo seu filho. 

Quase todas as crianças fazem birras e muitas delas, especialmente as que têm questões de processamento sensorial, têm crises. Conhecer a diferença entre estes dois comportamentos e saber como lhes responder, pode ajudar os vossos filhos a ultrapassar birras e crises.

Prof. Dra. Regiane Souza Neves - Atua há 26 anos na área da educação onde foi professora, coordenadora pedagógica e diretora, sendo que nesta última função permaneceu por 15 anos como diretora na educação básica e está há 7 anos como diretora do CEADEH Centro de Estudos Avançados em Desenvolvimento Educacional e Humano (escola de formação continuada para educadores). Também atua há 11 anos em clínica como neuropsicopedagoga, neuropsicologa, psicopedagoga, psicomotricista e psicanalista, onde realiza diagnósticos para transtornos do neurodesenvolvimento como TEA, TDAH, TOD entre outros. Há 20 anos atua em estudos e desenvolvimento de políticas públicas. Saiba mais AQUI.