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Autismo e Autolesão ou Automutilação


Este é um resumo do capítulo do meu livro:

SOUZA NEVES, Regiane. Transtorno do Espectro Autista: Conhecer, Diagnosticar, Intervir e Orientar. Souza & Neves Edições. Clube de Autores. 1ª edição. São Paulo, 2019

A autolesão ou automutilação não é entendida como uma doença, mas sim como um sintoma, podendo ter ou não algum transtorno mais grave associado.

Alguns transtornos mais sérios podem levar a estes sintomas, sendo eles: quadros de Esquizofrenia, Autismo, Síndrome de Asperger, Depressão, Transtorno Borderline, Transtorno Bipolar do Humor, entre outros.

No caso do autismo, a criança ou o adolescente que sofre com a hipersensibilidade, medo e agitação por não conseguir dar conta do que está acontecendo em seu entorno, pode ter crises de autolesão (debater-se, bater na cabeça, bater a cabeça contra a parede, arranhar o corpo etc) e automutilação (arrancar cabelos, cascas de ferida e cílios, cortar a pele dos braços, pernas e abdômen etc).

No caso do Asperger, além de sofrer com a hipersensibilidade, medo e agitação a criança cresce com uma sensação de que compreende tudo, sabe o que está fazendo, não aceita orientações e não reconhece limites. Consequentemente, acaba se frustrando quando algo dá errado ou ao receber comandos e, infelizmente, as pessoas para "ajudar" a lidar com a frustração reforça o estigma de que vai conseguir fazer tudo porque é super inteligente. Grande erro! Este é o momento onde, de forma inconsciente, a pessoa (seja pai, mãe, professora) está passando para a criança ou adolescente uma responsabilidade imensa, fazendo com que ela se cobre muito e chegue a ter medo do erro, baixa autoestima e sem saber lidar com as frustrações inevitáveis da vida passe por um processo de autolesão ou automutilação.

A autolesão ou automutilação pode ser um dos vários sintomas do autismo, mas não são todos autistas que passam por isso. Esse tipo de comportamento no autista, também pode estar associado a algum outro transtorno, ou comorbidade como é o caso da depressão, ansiedade e também compulsões ou oposições como é o caso do TOD Transtorno Opositivo Desafiador. De qualquer forma é um pedido de socorro, demonstra sofrimento, mostra que algo não está bem.

Vale lembrar que, estimulo é diferente de insistência, quando a criança ou adolescente não está a fim de fazer determinada tarefa é melhor não insistir, crie estímulos como por exemplo,  pequenas recompensas. Recompensas são um tipo de reforçador do comportamento, porém, é preciso ter muito cuidado com o que se tornará uma recompensa, para não criar uma relação de dependência entre um e outro. O estímulo positivo pode fazer até mais efeito do que repreensões e castigos – e valem tanto quanto um eu te amo. Só temos que ter um cuidado: elogios e recompensas, devem ser sinceros e na medida certa; nem demais e nem de menos. Elogiar e recompensar o tempo todo para compensar alguma “falta” não faz efeito algum, na verdade podem se transformar em um efeito negativo causando frustrações e dependência.

Se você estiver passando com seu filho ou aluno por algum comportamento de autolesão ou automutilação, procure orientação especializada urgente, em muitos casos a psicoterapia deve trabalhar em parceria com a psiquiatria para interação medicamentosa. Lembre-se, esta é uma fase complicada, mas com a intervenção correta pode ser resolvida.


Essas dicas são válidas não somente para os professores, mas também para os pais e para todos os que lidam com autistas diariamente.

Entender um autista é muito complexo, mas com carinho, amor e empatia, tudo é possível.

Dra. Regiane Souza Neves
- Psicoterapêuta
- Neuropsicopedagoga
- Neuropsicóloga
- Psicopedagoga
- Psicanalista
- Psicomotricista
- Orientadora Vocacional e Profissional
- Diagnóstico e intervenção para os problemas emocionais, cognitivos e sociais que interferem na aprendizagem e comportamento


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