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Autismo e Desordem do Processamento Sensorial


Este é um resumo do capítulo do meu livro: 

SOUZA NEVES, Regiane. Transtorno do Espectro Autista: Conhecer, Diagnosticar, Intervir e Orientar. Souza & Neves Edições. Clube de Autores. 1ª edição. São Paulo, 2019

O processo de organização e interpretação por parte do nosso cérebro sobre as informações sensoriais do ambiente e do nosso próprio corpo tem o nome de INTEGRAÇÃO SENSORIAL, e é através dele que aprendemos a reagir a estímulos e a procurar outros levando-nos a conhecer o mundo.

A Desordem de Processamento Sensorial, também conhecida como disfunção sensorial, é uma desordem neurológica caracterizada por causar dificuldades na integração sensorial, assimilação e acomodação das informações e conhecimentos, processamento e resposta às informações sensoriais acerca do ambiente e dos sentidos do próprio corpo do indivíduo com relação à audição, tato, olfato, paladar, visão e ainda, sentidos vestibular e proprioceptivo.

A grande maioria das pessoas no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) apresenta Desordem de Processamento Sensorial.

A incidência da desordem de processamento sensorial em autistas varia entre 45% a 96%. Tais desordens são clinicamente únicas. Aliado à variedade de casos e à complexidade que cada um apresenta no espectro, esse cenário torna o diagnóstico um grande desafio. Além disso, ainda são poucos os profissionais de saúde e educação que conhecem e consideram a importância e o impacto dos problemas sensoriais no desenvolvimento e na educação de crianças.

De acordo com alguns estudos, entre 56% a 80% das pessoas no TEA apresentem sinais de hipersensibilidade sensorial (HS), também chamada de defensividade sensorial. Diferente das pessoas típicas, pessoas com defensividade sensorial experimentam os estímulos sensoriais de formas negativas e distintas entre si. Uma sensação considerada normal e tolerável para uma pessoa neurotípica pode ser considerada como estímulo aversivo para um autista, a ponto de gerar angústias e sofrimentos incapacitantes.

Estudos sugerem que parte significativa das manifestações clínicas do TEA tem relação direta ou indireta com disfunções sensoriais. Crianças com disfunções sensoriais táteis na boca ou gustativas, por exemplo, podem apresentar atraso de fala e/ou desenvolver problemas dietéticos. Uma pessoa que é hipersensível a estímulos auditivos, olfativos e visuais se sentirá desconfortável de uma forma tão grande que muitas vezes preferirá permanecer em casa ao invés de andar por uma cidade, visitar familiares ou ir a eventos com várias pessoas. Estímulos táteis considerados aversivos podem reprimir a socialização de forma considerável ou desencadear estereotipias. Em alguns casos, movimentos repetitivos pode ser uma forma de buscar alívio de sensações aversivas causadas pela HS.

No entanto, é importante esclarecer que nem todas as disfunções sensoriais resultam em problemas comportamentais, e que movimentos repetitivos também ocorrem na ausência de hipersensibilidade sensorial.

Fatos como esses nos mostram a necessidade de identificar e tratar de forma precisa as pessoas com disfunções sensoriais, em especial HS. Profissionais de Terapia Ocupacional, Psicopedagogia e Fonoaudiologia, atualizados e com boa formação técnica/acadêmica podem oferecer grande contribuição às pessoas nessa condição, através de terapias individualizadas.

Estudos já mostraram que intervenções sensoriais desenvolvidas por terapeutas em crianças no TEA trazem um ganho significativo de socialização e melhoria dos cuidados pessoais.

As disfunções sensoriais prejudicam o modo como essas pessoas interpretam o mundo ao seu redor e podem alterar o curso de uma vida toda dependendo de como forem as experiências com o mundo. Entender essas condições de saúde que afetam pessoas no Espectro do Autismo é muito importante para a qualidade de vida não só delas, mas também de seus familiares e da sociedade como um todo.

Prof. Dra. Regiane Souza Neves - Atua há 26 anos na área da educação onde foi professora, coordenadora pedagógica e diretora, sendo que nesta última função permaneceu por 15 anos como diretora na educação básica e está há 7 anos como diretora do CEADEH Centro de Estudos Avançados em Desenvolvimento Educacional e Humano (escola de formação continuada para educadores). Também atua há 11 anos em clínica como neuropsicopedagoga, neuropsicologa, psicopedagoga, psicomotricista e psicanalista, onde realiza diagnósticos para transtornos do neurodesenvolvimento como TEA, TDAH, TOD entre outros. Há 20 anos atua em estudos e desenvolvimento de políticas públicas. Saiba mais AQUI.