Quantidade de pessoas que seguem este blog:

Blog inclusivo - Clique para ouvir o conteúdo a seguir:

Autismo e Projeto Terapêutico


Este é um resumo do capítulo do meu livro:

SOUZA NEVES, Regiane. Transtorno do Espectro Autista: Conhecer, Diagnosticar, Intervir e Orientar. Souza & Neves Edições. Clube de Autores. 1ª edição. São Paulo, 2019

O transtorno do espectro do autismo (TEA) é um distúrbio do desenvolvimento neurológico caracterizado por déficits nas interações sociais e na comunicação social e por padrões restritos e repetitivos de comportamento.

O número de casos diagnosticados de autismo e distúrbios relacionados aumentou dramaticamente na última década. Os estudos mais recentes (CDC, 2018) relatam que o TEA ocorre em aproximadamente um em cada 59 nascimentos. O TEA é uma das deficiências graves mais comuns no desenvolvimento e tem quase quatro vezes mais chances de ocorrer em meninos do que em meninas.

Embora uma causa específica de TEA não seja conhecida, a pesquisa atual vincula o autismo a diferenças biológicas ou neurológicas no cérebro. Acredita-se que o autismo tenha uma base genética, embora nenhum gene isolado tenha sido diretamente ligado ao distúrbio. Os pesquisadores estão usando tecnologia avançada de imagem cerebral para examinar fatores que podem contribuir para o desenvolvimento do autismo. As ressonâncias magnéticas (Ressonância Magnética) e PET (Positron Emission Tomography) podem mostrar anormalidades na estrutura do cérebro, com diferenças celulares significativas no cerebelo.

Estar armado com informações sobre o transtorno do espectro do autismo (TEA) ajuda as famílias a se sentirem mais confortáveis ao enfrentar novos desafios. Algumas famílias precisam saber por onde começar quando um membro da família foi diagnosticado recentemente. Outras famílias enfrentam dificuldades inesperadas, à medida que seus entes queridos com TEA aprendem a viver efetivamente em casa, na escola ou na comunidade. Dedicamo-nos a apoiar as famílias, tornando as informações e os recursos mais facilmente disponíveis.

Precisamos discutir e refletir a complexidade das avaliações de diagnóstico para crianças e adultos no espectro do autismo, identificar e descrever tratamentos eficazes e destacar a importância do julgamento profissional e do uso de dados para orientar as decisões de tratamento. 

Estudos demonstram que a identificação precoce dos sinais e dos sintomas de risco para o desenvolvimento do TEA é fundamental, pois, quanto antes o tratamento for iniciado, melhores são os resultados em termos de desenvolvimento cognitivo, linguagem e habilidades sociais. Embora seja comum aos pais perceber alterações no desenvolvimento de seus filhos, antes dos 24 meses, muitas vezes demoram em procurar por ajuda especializada, por isso, os profissionais da saúde e educação tem um papel fundamental na identificação inicial dos sinais e sintomas de risco para o TEA.

O Projeto Terapêutico deve ser elaborado pela equipe multiprofissional de referência e é instrumento necessário ao tratamento de crianças, adolescentes e adultos com TEA, pois permite avaliar e intervir conforme a necessidade de cada um, nas diferentes fases da vida. O tratamento deve ser realizado através de um trabalho em equipe, com profissional de referência e contribuição coletiva para a construção do projeto terapêutico sempre tendo como princípio norteador do cuidado a integralidade da atenção. Embora no TEA haja aspectos comuns em três áreas principais – como déficit no repertório de interações sociais, de comunicação e nos padrões de comportamentos restritos e repetitivos – o quanto e como cada uma destas áreas está prejudicada é um aspecto muito particular de cada indivíduo. Um projeto terapêutico individualizado é recomendado por diversos estudos e documentos com diretrizes especializadas (Ministries of Health and Education of the New Zealand, 2008; Missouri Department of Mental Health, 2012; National Collaborating Centre for Women’s and Children’s Health, 2011; New York State Department of Health, 1999). Para orientar o tratamento, serão estabelecidos os objetivos a serem alcançados com os quais visam descrever aspectos gerais, norteadores para o tratamento individualizado.

Cada fase do desenvolvimento possui necessidades específicas e estas devem ser respeitadas. Recomenda-se que, antes do planejamento do Projeto Terapêutico, uma avaliação detalhada e minuciosa seja realizada, conforme as orientações discutidas anteriormente.

Reavaliações periódicas são importantes para a adequação da terapêutica às novas necessidades do indivíduo, bem como verificar quais as abordagens tem melhores resultados para cada um.

Dependendo do diagnóstico o Projeto Terapêutico deverá ser elaborado por psicopedagogo, neuropsicopedagogo, neuropsicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psicomotricista, entre outros. 

Alguns exemplos de programas terapêuticos concebidos para o TEA:

Terapia de Integração Sensorial: para promover melhor qualidade de vida, autonomia, independência e inserção social e escolar, além de estabelecer uma melhora comportamental e ajustes nas habilidades sensoriais.

ABA (Análise de Comportamento Aplicado): esse método utiliza técnicas de ensino baseadas em evidências para incentivar comportamentos funcionais e reduzir os comportamentos prejudiciais ou que interfiram na aprendizagem. Mostrou-se capaz de melhorar as habilidades de comunicação, interação social e vocacional.

DIR (Modelo Baseado nas Relações, Diferenças Individuais e Desenvolvimento): também chamado de floortime ou terapia do tempo, os pais e os terapeutas seguem a liderança da criança ao brincarem enquanto a dirigem para que se engajem em interações cada vez mais complexas.

TEACCH Autism Program: promove o engajamento nas atividades, a existência, a independência e a educação por meio de estratégias baseadas no que a criança tem de mais forte e nas dificuldades de aprendizagem.

PECS (Picture Exchange Communication System), que permite a comunicação por meio do uso de troca de figuras, é um sistema de comunicação complementar e alternativo desenvolvido e produzido pela Pyramid Educational Consultants, Inc. O PECS foi desenvolvido em 1985 no Programa de Autismo de Delaware por Andy Bondy, PhD, e Lori Frost, MS, CCC-SLP.

Orientar, de maneira uniformizada, os demais profissionais envolvidos, tanto de saúde como de educação, no cuidado e no manejo dos pacientes.

Atualmente não há tratamento farmacológico para o autismo. No entanto, muitos médicos (psiquiatras ou neurologistas) recomendam medicação para os sintomas comportamentais. Existem estudos em andamento que, por enquanto, geraram evidências limitadas. Comorbidades importantes de tratamento são ansiedade, movimentos repetitivos estereotipados, sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo, impulsividade, depressão, oscilações no humor, agitação, hiperatividade e agressividade.

As classes de medicamentos que podem ser usados no tratamento dessas comorbidades abrangem os antiepilépticos, antipsicóticos atípicos, estimulantes do sistema nervoso central (SNC), antidepressivos e estabilizadores do humor. Mas só devem ser administrados sob orientação e acompanhamento médico.

As propostas de intervenção nutricional, principalmente para crianças com seletividade alimentar são importantes. No entanto, as dietas com isenção de glúten e/ou caseína e a suplementação de vitaminas e ômega-3, carecem de fundamentação científica. Para iniciar uma dieta alimentar procure um profissional adequado (nutricionista, endocrinologista, gastroenterologista).



Dra. Regiane Souza Neves
- Psicoterapêuta
- Neuropsicopedagoga
- Neuropsicóloga
- Psicopedagoga
- Psicanalista
- Psicomotricista
- Orientadora Vocacional e Profissional
- Diagnóstico e intervenção para os problemas emocionais, cognitivos e sociais que interferem na aprendizagem e comportamento

Consultórios em Osasco, Alphaville e São Paulo. Atendimento com hora marcada para crianças, adolescentes, adultos e idosos. Não atendo convênios e não realizo atendimento on-line. Whatsapp 11 95973-6360. 

Consultas à partir de R$ 100,00 para crianças e adolescentes - R$ 120,00 para adultos e idosos.