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Dicas para famílias: COMO POSSO DAR SUPORTE EDUCACIONAL AO MEU FILHO OU MINHA FILHA COM AUTISMO, TDAH OU DEFICIÊNCIA DURANTE A QUARENTENA?


Manter uma rotina para as crianças autistas, ou com TDAH, ou com deficiência é importante, mas não devemos esquecer que o atual momento vivenciado no Brasil é delicado, por isso, além de estarem distantes da escola, muitos também estão distantes das terapias. Sendo assim, trago dicas para o desenvolvimento educacional continuar em casa.

"Posso educar em casa, durante a quarentena, o meu filho com dificuldades de aprendizagem?"

Sim!!!

Realizar atividades, que são feitas nas escolas ou nas terapias, em casa não é impossível, e pensando nisso seguem dicas para te ajudar a organizar a educação em casa durante esse período de quarentena:

Seja criativo(a), amoroso(a) e desenvolva as atividades juntamente com a criança;

Estabeleça uma rotina, pois cada momento pode ser aproveitado para o desenvolvimento e o cérebro tem assim a possibilidade de conexões neuronais com base na repetição;

Deixe afixado a rotina do dia ou da semana e faça a leitura com a criança do que será realizado naquele dia;

Escolha um ambiente em que a criança deverá estudar e brincar, e mantenha-o até o final;

Certifique-se de que o ambiente esteja seguro (esterilizar brinquedos e materiais escolares);

Equilibre o tempo de aprendizagem com diversão;

Explique para a criança o porquê de ela não estar indo para a escola e para as terapias, por enquanto, mas que retornará logo mais;

Certifique-se de que o seu (sua) filho(a) dará conta de realizar as atividades propostas pela escola, e não é o momento de se cobrar caso não tenha habilidades pedagógicas, o aprendizado acontece de várias formas;

Reveja a necessidade de adaptar a forma de comunicação e aplicação das atividades escolares;

Se não se sentir seguro em aplicar atividades, ou não souber como fazer, solicite à escola sugestões ou o Plano Educacional Individualizado - PEI;

Estimule a criança por meio da arte (atividades com pintura usando os dedos das mãos, pincel com os pés, o pincel preso aos lábios, recorte de papéis ou tecidos, diversificando cores, massinha de modelar, texturas e outras);

Faça atividades de matemática (raciocínio, se possível, desafios orais, escritos, ou jogos que envolvam cálculo, utilizar materiais concretos como por exemplo, feijões e tampinhas);

Linguagem (contação de história com a participação da criança na criação da narrativa é uma dentre várias opções e a comunicação pode ser adaptada, caso seja necessário, assim como completar músicas que sejam conhecidas e façam parte do repertório com objetivo de desenvolver pensamento, linguagem e oralidade).

Entendendo a rotina...

A rotina engloba, por exemplo:
Higienização;
Atividades escolares;
Atividades lúdicas;
Atividades de assistência à saúde, entre outras.

O contexto da convivência social é deixado de lado, por hora, porém não deverá ser esquecido. Pensando nisso, converse sempre com a criança.

Para que a família e as crianças não se sintam sobrecarregadas, a rotina flexível possibilita que os pais alcancem, pelo menos, dois a três objetivos semanais. É importante que as crianças participem opinando na elaboração de suas rotinas, podendo assim inserir atividades de sua preferência.

CONVERSANDO COM A ESCOLA E COM OS PROFESSORES:

Os pais/tutores precisam estar em parceria com os professores e a escola, levando em consideração a didática que estava sendo utilizada antes da quarentena. De acordo com a Lei nº 13.146 de 05 de julho de 2015, cada criança com deficiência tem direito ao PEI (Plano Educacional Individual) que contempla todos os objetivos que a escola prevê de acordo com a faixa etária. Conhecer esse plano pedagógico de seu filho(a) é fundamental para decidir quais habilidades serão necessárias para o desenvolvimento das atividades escolares, vale lembrar de que não existem estratégias que se aplicam para todos os alunos, visto que cada um possui uma potencialidade diferente.

O ensino em casa permite que você defina uma programação flexível (com possibilidades de mudanças) visto que, nesse momento, todo o contexto de rotina familiar está desorganizado ou em reorganização. Educar em casa uma criança com autismo ou deficiência pode ser uma tarefa exigente, por isso aproveitem os momentos em família para brincar e estimular de forma leve e divertida para todos.

ESTRATÉGIAS PARA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA:

As crianças com deficiência auditiva se comunicam por meio da visão e dos gestos. O desenvolvimento do raciocínio é primordial e podem ser utilizadas atividades lúdicas, pedagógicas e sensoriais, com o uso de objetos, fotografias e imagens, jornais e revistas, e outros. É necessário que as atividades enviadas pela escola possam ser adaptadas, caso estejam em formato de áudio.

As crianças com deficiência visual podem ter suas atividades adaptadas com o uso de aplicativos que convertem texto em áudio, além de poder explorar todos os demais sentidos preservados em suas atividades (olfato, audição, tato, paladar, etc). Para ambos os casos, os pais devem escolher ambientes sem ruídos.

O autismo, o TDAH e a deficiência intelectual podem ser considerados limitadores nas habilidades de coordenação motora, de linguagem, cognitivas e mentais. As estratégias para ajudar as crianças na realização das atividades escolares baseiam-se na estimulação das funções cognitivas, dentre elas estão inseridas a comunicação, as habilidades voltadas à linguagem, à memória, ao raciocínio, coordenação visomotora, lateralidade, espaço-temporal, cinco sentidos, esquema e imagem corporal. Escolha atividades condizentes com a capacidade intelectual da criança, se necessário repita a mesma atividade várias vezes. Use diferentes tipos de estímulos e recursos, tais como música, vídeo, imagens, atividades impressas para colorir, recortar, colar, contornar e outros.

A deficiência física possui muitas variações, é necessário avaliar se as atividades são acessíveis e se existe alguma barreira física, atitudinal ou de outro tipo que impeça ou dificulte a realização das atividades escolares.

CRONOGRAMA PARA RELAXANENTO

Para as famílias que irão adequar o ensino em casa a sugestão é que estabeleçam horários específicos, como o que a criança frequentava a escola, por exemplo, contudo com a devida flexibilidade, tendo pelo menos um objetivo educacional como meta por dia.

Os pais podem planejar, por dia, as atividades com horários de autocuidado e higienização, de lazer e de estudo e deixá-las claras para as crianças internalizarem que há uma rotina programada para elas. Lembre-se de afixar a rotina num lugar visível e ler todo dia com a criança o que será feito.

ATIVIDADES EDUCACIONAIS:

Escolha três atividades para desenvolver com o seu filho, por dia:

1. Leitura: Leia um capítulo por dia de um livro que a criança escolheu e peça que ela comente o que entendeu da leitura. Transforme a leitura em teatro ou desenhos, de modo que uma atividade pode com criatividade, se tornar várias;

2. Escrita: Permita que a criança escreva à mão, preferencialmente, para desenvolver sua coordenação e caligrafia, ou em eletrônicos como opção secundária. Os pais podem auxiliar dando informações de textos, ou histórias para que escrevam;

3. Matemática: Cada criança terá os materiais matemáticos que melhor se adequam ao seu estilo de aprendizagem. Uma criança pode usar software de matemática, uma outra criança pode usar manipuladores de matemática, como barras, formas e contadores, e outra criança pode usar um livro de matemática;

4. Ciência/História/Geografia: A ênfase está em experimentos práticos que a família faz em casa (confecção de massinhas e outros) e em jogos educativos;

5. Esporte: Permita que a criança explore seu potencial físico, jogos com uso de bola, uso de corda, e atividades de coordenação motora;

6. Vida Prática: Permita que as crianças realizem atividades de culinária e auxílio nas tarefas domésticas, sempre com supervisão, com sentido lúdico e de engajamento familiar, além de auxiliar na organização de seu quarto e de seus próprios brinquedos ou materiais.

7. Meditação: Sem forçar a criança ou adolescente, convide-o(a) para um momento de silêncio e em um ambiente calmo, coloque uma música de relaxamento e que seja confortável aos ouvidos ou simplesmente fique em um lugar mais tranquilo e toque delicadamente os pés dele(a) massageando de maneira suave.

8. Artes: Atividades de corte, colagem e montagem;

9. Expressão corporal: Brincadeiras com espelho (um em frente ao outro repetindo as ações);

10. Brincadeiras de faz-de-conta (crianças menores) - Crianças com deficiência intelectual muitas vezes precisam ser estimuladas a criar as brincadeiras com objetos, pois tem dificuldades em simbolizar. 

IMPORTANTE

Não enfatizar as dificuldades; Valorizar os acertos ou tentativas; Estimular o pensamento: O que deve ser feito agora?; Ao final da atividade, convém retomar o que foi feito (isto contribui para a memória e também leva a criança/adolescente para o nível do pensamento); Não realizar atividade ou brincadeira se seu filho (a) estiver indisposto ou com algum desconforto; Assim como a gente as crianças e adolescentes podem se sentir ansiosos e deprimidos por estarem confinados, por isso evite mais estresse e desenvolva as atividades propostas, inclusive as enviadas pela escola, apenas quando todos estiverem dispostos. 

A realização das atividades acima, tem por objetivo favorecer o desenvolvimento de habilidades cognitivas, emocionais e sociais e melhoram a concentração, a
memorização, a rapidez no raciocínio, favorece a oralidade, desperta a iniciativa, aumenta autoconfiança, proporciona a cooperação.

Dra. Regiane Souza Neves
Neuropsicopedagogia
Neuropsicologia
Psicomotricidade
Psicopedagogia
Psicanálise

Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência